Preservação do cerrado também é foco do EcoCâmara

16/03/2010 06h00

MercedesUm dos destaques da programação do evento “EcoCâmara – Desafios e Pespectivas para o Biênio” foi a palestra proferida pela professora Mercedes Bustamante, intitulada “Os desafios  de desenvolvimento e conservação do Cerrado: contextos e estratégias em transição”. O cerrado brasileiro ocupa uma área correspondente a 24% do território nacional, está presente em 11 Estados e é a segunda maior formação vegetal da América do Sul, perdendo apenas para a floresta amazônica.
 
A palestrante, que é doutora em Geobotânica e atua como professora de Ecologia da UnB, abordou tópicos relevantes sobre esse ecossistema, ressaltando a sua inter-relação com os demais biomas brasileiros, como a mata atlântica, a amazônia, a caatinga e o pantanal. Além disso, destacou a importância do cerrado para a preservação dos recursos hídricos do país. “No cerrado está 78% da bacia do Araguaia-Tocantins, 48% da bacia do Paraná-Paraguai e 47% da bacia do São Francisco”, informou.

Além disso, destacou a diversidade da flora e fauna da região. “É uma das savanas tropicais mais ricas em espécies do mundo, com 12.000 espécies de plantas e 28% do total de espécies animais registradas no país”.

A professora ressaltou ainda que o cerrado, hoje, responde por 35% de toda a produção de grãos no país e mais de 70% da produção de carne bovina. Toda essa importância econômica tem atraído problemas para a região, como o desmatamento e as queimadas, feitos sem controle. Na palestra, Mercedes também fez um resumo histórico do processo de destruição a que o cerrado vem sendo submetido desde o início do século passado e das estratégias de conservação adotadas, além de uma análise das ameaças mais recentes, como avanço do plantio de cana de açúcar para produção de etanol e da lavoura de soja.

Para a professora da Universidade de Brasília, todos os setores da sociedade têm de estar envolvidos na discussão de questões ambientais. Ela chamou atenção para o lado perverso das mudanças climáticas. “A causa ambiental é uma questão de ética, pois quem mais sofre são os mais pobres, ou seja, os que menos contribuíram para a degradação do clima”, frisou.

Em entrevista após a palestra, a professora Mercedes ressaltou a importância do evento e o trabalho do EcoCâmara, enfatizando a importância do exemplo positivo que a Casa oferece, ao mostrar sua preocupação com a questão da sustentabilidade e da responsabilidade social ligada à questão ambiental. “A Câmara tem um papel multiplicador, pois é capaz de atrair parceiros e a atenção da mídia. Espero que essas iniciativas sejam replicadas nas assembléias estaduais e municipais, tornando isso uma questão central na administração pública no Brasil”, afirmou.

Para falar com a professora Mercedes Bustamante, escreva para o email Mercedes@unb.br