Debate sobre a violência física e psicológica contra jovens atletas reúne especialistas

Nesta terça-feira (8), a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados realizou um debate sobre a violência física e psicológica contra crianças e adolescentes nas categorias de base do esporte brasileiro. O evento, presidido pelo Roberto Alves (Republicanos-SP), faz parte de uma campanha pela defesa e proteção dos jovens atletas mobilizada pela CESPO, em parceria com a Frente Parlamentar Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ao final do debate, o deputado Roberto Alves fez um ato simbólico ao entregar cópia do projeto de lei de sua autoria (PL 5.323/2019, que institui o Dia Nacional de Combate à Violência no Esporte) à senhora Vânia Maria da Silva, mãe do adolescente Denílson Silva, assassinado em 9 de março de 2016, após ser vítima de violência sexual na escolinha de futebol onde frequentava, e que participou dessa discussão.
09/10/2019 08h35

Reynaldo Lima/Arquivo CESPO

Debate sobre a violência física e psicológica contra jovens atletas reúne especialistas

Mesa Redonda mobiliza especialistas pela defesa e proteção dos jovens atletas

Pesquisadores, especialistas e autoridades participaram da mesa-redonda e trouxeram números sobre a realidade dos diversos tipos de violência vividos por jovens atletas que treinam nos centros de formação e nos clubes de futebol pelo país.

O jornalista e pesquisador Breiller Pires, que desenvolveu uma pesquisa nacional sobre o abuso sexual nas categorias de base de futebol, chamou a atenção para o descaso na apuração das denúncias, um problema que ainda permanece entre os clubes. De acordo com ele, são registrados, por ano, 20 casos de violência sexual infantil em clubes e escolinhas. “O ambiente do futebol é permissivo e ainda não há um compromisso sério, por parte dos clubes, para combater a violência sexual infantojuvenil”, afirmou.

A presidente da Federação Sul-Americana de Jiu-Jitsu, Luciana Neder, lamentou a onda violência nos tatames contra as atletas brasileiras, vítimas de agressões, assédios, abuso sexual e violência psicológica. De acordo com ela, 30% das denúncias feitas por atletas mulheres são de violência sexual. “Se as denúncias fossem apuradas e os agressores afastados, teríamos mais mulheres no jiu-jitsu. Poucas mulheres chegam à faixa preta, por causa da violência. Precisamos criar ouvidorias nos estados e qualificar os treinadores, exigindo-lhes formação superior em educação física”, explicou ela.

Impunidade

A promotora do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Denise Vilela, explicou que a criança ou adolescente vítima de violência sexual no esporte é vítima duas vezes quando a família não acredita na denúncia. “De um lado, há um professor bem conceituado no mercado e com boa reputação. De outro, há a criança fragilizada. Assim, poucos casos chegam ao conhecimento das autoridades. Para o jovem atleta, fica o sentimento de impunidade”, disse a promotora.

O representante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Hilbert Pintorra, reforçou a importância do ‘Programa Criança Protegida’, implantado este ano pela ministra Damares Alves. O programa consiste em formar pessoas capazes de identificar nas crianças e adolescentes indícios de abuso sexual e levar os suspeitos às autoridades. O programa já formou multiplicadores em Rondônia, Santa Catarina, Amazonas e, em breve, será implementado no estado do Paraná.

“Uma criança ou adolescente vítima de abuso sexual está condenada a uma prisão perpétua. Sem o tratamento e apoio necessários, toda a família está fadada a essa prisão. É nosso compromisso criarmos meios para conter essa mazela social”, destacou Hilbert.

Participantes

Também participaram do debate o gerente de sustentabilidade e responsabilidade social da CBF, Diogo Cristiano Netto; o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, Rinaldo Martorelli; a representante do Conselho Federal de Educação Física, Nicole Christine Azevedo; o representante da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Alexandre Carvalho; e o diretor da Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social, Clair Tomé Kuhm.

Com: Carlos Eduardo Matos/Assessoria Deputado Roberto Alves

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