Comissão do Esporte debate o VAR no futebol

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados realizou na terça-feira (19) audiência pública para explicações sobre o funcionamento e as regras do árbitro de vídeo (VAR) no futebol. Estiveram presentes, o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Leonardo Gaciba; o presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), Salmo Valentim; e o presidente da Comissão Especial de Planejamento e Desenvolvimento da Arbitragem da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), Jorge Rabello. A iniciativa da audiência foi dos deputados Luiz Antonio Teixeira Jr (PP-RJ), Helio Lopes (PSL-RJ) e Flordelis (PSD-RJ).
20/11/2019 10h41

Reynaldo Lima/Arquivo CESPO

Comissão do Esporte debate o VAR no futebol

Leonardo Gaciba apresentou números e informações sobre o funcionamento do VAR no futebol brasileiro

Autor do PL nº 5572/19, que propõe a divulgação na íntegra das conversas entre VAR e árbitro de campo durante as partidas e que tramita na Comissão do Esporte, o deputado Luiz Antonio Teixeira Jr. conduziu a audiência. “Queremos que haja transparência, para que não paire nenhuma dúvida de que a direção do VAR tenha qualquer tipo de interferência”, argumentou o parlamentar.  Segundo ele, a divulgação dos áudios e vídeos do VAR é matéria de legislação a partir do momento em que trata da transparência do futebol, uma exigência do Estatuto do Torcedor.

Em sua explanação, o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, apresentou os números sobre o VAR no campeonato brasileiro e afirmou que não vê problemas na divulgação das conversas entre árbitros de campo e de vídeo durante a tomada de decisões polêmicas nos jogos. “Podemos liberar os áudios sem problema nenhum. Vamos pedir essa permissão ao IFAB. Não todos, mas vamos mostrar alguns áudios quando ele for decisivo para a tomada de decisão,” disse Gaciba.

Segundo o próprio Gaciba, a decisão não cabe apenas à CBF, mas ao Comitê Internacional das Associações de Futebol (IFAB), responsável pelo protocolo que rege as regras do VAR. Como lembrou o deputado Roman (PSD-PR), que foi árbitro FIFA, “a tecnologia do replay existe desde a Copa de 1978. Com o gol de mão do Maradona na Copa de 1986, começou essa discussão, mas só na Copa de 2010, depois do gol anulado da Inglaterra contra a Alemanha, é que houve o interesse de mudar os protocolos e instituir o VAR”.

Desafio

Uma das questões, levantada pelo deputado Delegado Pablo (PSL-AM), dizia respeito à possibilidade da inclusão de desafios por parte dos treinadores das equipes envolvidas no jogo, como já ocorre no vôlei e no futebol americano, por exemplo. Gaciba afirmou ser a favor de uma possível mudança. “Eu acho que no mínimo um desafio para cada um dos treinadores minimizaria muito a responsabilidade da arbitragem. E acima de tudo, a questão da crítica dos clubes,” afirmou. Diante da afirmação, o deputado se propôs a encaminhar um pedido oficial à CBF para que a entidade solicite ao IFAB uma mudança no protocolo do VAR.

Treinamento

Jorge Rabello, representando a arbitragem do Rio de Janeiro, relatou as dificuldades financeiras vividas pelas federações estaduais na formação dos árbitros. “Precisamos lembrar que a tecnologia veio para ajudar, mas o investimento na pessoa humana precisa ser prioridade. E não tem sido assim recentemente, ” destacou.

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