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Jovem negro no DF tem seis vezes mais chance de ser assassinado do que um branco

A cada 100 jovens assassinados no Distrito Federal, 85 são negros. Essa mortalidade do jovem negro deriva em grande parte do racismo latente, disse Larissa Borges, representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias que discutiu nesta quarta-feira, 22 de abril, a situação desses jovens no DF e região do entorno. A superação dessa violência demanda a desconstrução da cultura da violência, o fortalecimento dos mecanismos de participação social e a cooperação e o trabalho conjunto das instituições, afirmou.
22/04/2015 20h05

Fabricio Carbonel

Jovem negro no DF tem seis vezes mais chance de ser assassinado do que um branco

Deputado Paulo Pimenta entre grupo que debateu a violência contra o jovem negro

 “Existem pessoas que são mais matáveis, suas vidas importam menos”, disse ela. De acordo com a gestora, os números foram coletados entre os anos de 2000 e 2011 (veja a apresentação completa da Seppir em destaque) e evidenciam um genocídio.  No país, disse ela, morrem dois jovens negros por hora.

Em 2011, 27471 jovens entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídio no país -71,4% dos jovens assassinados eram negros. No enfrentamento desse trauma social, a gestora apresentou uma série de campanhas realizadas pelo governo, como: “Reaja ou será Morto”, “Viver sem Nada, Morrer por Nada”, “Do luto, à luta”, “Eu pareço suspeito?”.

A audiência pública foi realizada em conjunto com a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Representante da Secretaria do Enfrentamento ao Racismo no DF, Carlos Alberto de Paulo indagou: “O que nos trouxe a essa situação? Como construímos um modelo tão eficaz de sociedade racista em que violador e violado não se sentem como tal? ” Carlos Alberto citou uma situação que viveu na África do Sul, em visita àquele país oito anos após a abolição do apartheid. Ao se deparar com uma situação em que jovens negros, brancos e indianos não se misturavam questionou porque esse distanciamento era mantido após a queda do apartheid. Os jovens então lhe responderam que a geração deles era vítima de uma construção cultural. Mas um dos jovens afirmou que o Brasil tinha o sistema racista mais sofisticado. “Como vocês conseguiram ser tão eficazes?”, perguntou.

Na opinião de Carlos Alberto, o Brasil não foi apenas omisso, “foi indutor do racismo”. “As Constituições do passado tiveram políticas negativas para a população negra”, afirmou.  Para o gestor do DF, “o modelo de sociedade racista não se extinguirá se não for priorizado um projeto de Nação” nesse sentido.

O Secretário da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa, Hamilton Pereira, disse que a violência está institucionalizada. O exercício da força é praticado pelo Estado ou por empresas privadas para quem a violência é terceirizada. “São forças particulares que repetem a tradição praticada pelo latifúndio, agora nas cidades, com jagunços e capitães do mato”, afirmou.    

O professor Evandro Piza, da Universidade de Brasília, destacou a abordagem policial no país e a comparou à realidade nos Estados Unidos, onde a letalidade, disse, é menor do que no Brasil. “A polícia não pode ter esse poder absoluto. Esse poder absoluto é que justifica o direito de matar.”, afirmou. Para o estudioso, “existe uma indiferença da instituição policial em relação aos direitos da população negra”.  

Vozes de protesto

O cantor e músico Genival Gonçalves, o “GOG”, disse que a sociedade brasileira vive hoje “uma grande intoxicação mental”. Há uma inversão de valores, em sua opinião. “Hoje se discute a terceirização do trabalho e não o PL 4471/12 (que altera o Código do Processo Penal e prevê a investigação das mortes e lesões corporais cometidas por policiais durante o trabalho), que é uma questão de vida.”

De acordo com o músico, a sociedade está mais interessada em discutir a vida de negros que obtiveram sucesso profissional a discutir a situação dos negros no país.

MC Neemias fez um relato pessoal de vida. Abandonado pela mãe, adotado por uma família desestruturada, disse que morou na rua e em abrigos no DF. Apanhou da polícia e sofreu ameaças. Sofreu tratamento vexatório, constrangedor e desumano. “O Estado não me garantiu educação e alimentação, mas o presídio sim”, afirmou. Neemias, assim como todos os componentes da audiência se posicionaram contra a redução da maioridade penal.  O MC disse ainda que a Justiça é omissa em relação à questão do racismo e que a mídia é preconceituosa.  

Táta Luangomina, sacerdote afro da comunidade Caxuté, relatou uma experiência de violência contra a liberdade de crença que sofreu na Bahia.

Deputados em posições opostas

Para o deputado Jean Wyllys (Psol/RJ), as populações negras sofrem na presença do Estado, quando a polícia atua de forma violenta e militrizada; e na ausência do Estado, quando abre espaço para atuação do tráfico e das milícias. 

A deputada Erika Kokay (PT/DF)afirmou que o combate ao racismo se torna ainda mais difícil com o que chamou de processos de  " desumanização simbólica" e "naturalização da violência", que acontecem no cotidiano.

Já o deputado Major Olímpio (PDT/SP) afirmou que as referências feitas à atuação da polícia na audiência pública foram "preconceituosas".  "Não podemos dizer que a polícia é causadora disso (preconceito racial)". Na opinião do deputado, que se posicionou contra a exacerbação da violência policial, o racismo existe na sociedade.  

 

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