Providência: Juiz revoga prisão de três dos 11 militares acusados
RIO - O juiz Marcello Ferreira Granado, titular da 7ª Vara Federal Criminal, revogou a prisão preventiva do cabo Samuel de Souza Oliveira, do sargento Bruno Eduardo de Fátima e do soldado Eduardo Pereira de Oliveira, três dos 11 militares envolvidos na morte de três jovens do morro da Providência em 14 de junho. Os onze militares teriam entregue os jovens para traficantes do morro da Mineira.
O juiz fundamentou sua decisão no fato de que, em princípio, o soldado e o sargento não teriam participado da detenção das vítimas, e o cabo não teria contribuído para o evento de forma relevante. Por isso, segundo a conclusão do magistrado, não haveria receio de que os três ameaçassem testemunhas moradoras da localidade. Na decisão, o juiz também alegou que em outros momentos do evento os três permaneceram em situação de obediência hierárquica, sem participação determinante no desfecho do episódio.
Deputados vão ao Rio analisar ação do Exército no morro
Integrantes da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado estarão no Rio nesta quinta e sexta-feira para conversar com autoridades relacionadas às investigações sobre a morte dos três jovens da Providência. A comissão aprovou requerimento do deputado Raul Jungmann (PPS-PE) que pede autorização à Câmara para acompanhar a investigação no estado. Já confirmaram participação, além de Jungmann, os deputados Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) e Hugo Leal (PSC-RJ). A agenda de encontros do grupo prevê audiências com o responsável pelo Comando Militar do Leste, general de Exército Luiz Cesário da Silveira; os procuradores do Ministério Público Federal José Augusto Vagos, Patrícia Weber e Neide Oliveira e com o juiz da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro Marcelo Granado, além de audiências com representantes da Procuradoria da Justiça Militar e do Ministério Público no Rio de Janeiro. A subcomissão tem como relator o deputado Antonio Carlos Biscaia.
Por falta de recursos, as obras que encerrariam a primeira fase do projeto Cimento Social (o término da reforma de 32 casas no Morro da Providência) foram paralisadas nesta quarta-feira. Nesta quinta-feira, operários farão uma manifestação no canteiro: segundo o encarregado das obras, Alex de Oliveira, das 7h às 13h eles permanecerão de braços cruzados, em protesto contra a não liberação dos recursos do fundo solidário, iniciativa da prefeitura que, até o momento, conseguiu de empresas a promessa de R$ 80 mil para a conclusão da primeira fase.
O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, disse que somente nesta quarta foi procurado pela presidente da Associação de Moradores da Providência, Vera Melo, a fim de viabilizar a liberação dos recursos.
Um relatório preliminar do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) sobre a morte dos três jovens apontou indícios de promiscuidade nas relações entre militares e o crime organizado nos sete meses em que um efetivo do Exército esteve no local, fazendo a segurança das obras do projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella.
No Rio, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, acusado de chefiar o grupo de militares que entregou os três jovens a traficantes da Mineira, chorou durante depoimento prestado no Tribunal do Júri da 7 Vara Federal Criminal, ao falar do filho de dois meses. Ele afirmou que teria sofrido pressão dos subordinados. De acordo com o site G1, por esse motivo ele teria resolvido dar um susto nos rapazes, que foram detidos por desacato . O tenente, no entanto, caiu em algumas contradições durante o depoimento, quando afirmou ao juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Criminal Federal, que sabia que traficantes de uma fação criminosa poderiam matar moradores de áreas dominadas por outros grupos. Apesar disso, ele disse que não imaginou que os traficantes a quem ele entregou os jovens da Providência fossem matá-los.
Os onze militares foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por três crimes de homicídio triplamente qualificado (cometidos cruelmente, sem possibilidade de defesa pelas vítimas e por motivo torpe) contra os jovens do Morro da Providência, Wellington Gonzaga Ferreira, David Wilson da Silva e Marcos Paulo Campos.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou a defender o uso do Exército nas obras do Morro da Providência, e criticou a paralisação das obras pela Justiça Eleitoral. Ele admitiu que o senador Marcelo Crivella (PRB - RJ) patrocinou o projeto ao destinar emendas parlamentares para a reforma das casas , mas questionou os deputados se o que deveria ser levado em consideração nesse caso seria o processo eleitoral ou o bem estar dos moradores.
Fonte: O Globo Online e O Globo