Câmara vai ouvir senador boliviano e diplomata brasileiro
As comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprovaram nesta quarta-feira (28) requerimentos para ouvir o senador boliviano Roger Pinto Molina e o diplomata que organizou sua fuga para o Brasil, Eduardo Saboia. Também será convidado para prestar esclarecimentos o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que auxiliou na fuga durante o trajeto no Brasil.
A data para a audiência pública será marcada de acordo com a agenda dos convidados.
O presidente da Comissão de Segurança, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), um dos que solicitou a audiência, quer esclarecimento sobre se as denúncias feitas pelo senador Roger Molina de envolvimento de autoridades bolivianas com o narcotráfico e o crime organizado. Em razão dessas denúncias, o senador pediu asilo na Embaixada do Brasil em La Paz. O parlamentar também pede explicações sobre as condições de alojamento do senador e os motivos que levaram o encarregado de Negócios da Embaixada brasileira em La Paz, ministro Eduardo Saboia, a trazê-lo ao Brasil.
Entenda o caso
O senador boliviano ficou asilado na embaixada brasileira por 455 dias. O parlamentar alega perseguição política do governo do presidente Evo Morales e afirma que processos foram instaurados contra ele depois que fez denúncias de corrupção contra o governador da província de Pando, na Região Amazônica, e entregou informes reservados a Evo sobre supostas ligações de autoridades com o narcotráfico.
Molina foi condenado a um ano de prisão na Bolívia, por suposto envolvimento em corrupção. Em junho, dez dias depois de se abrigar na embaixada brasileira em La Paz, o governo brasileiro concedeu asilo ao senador, que não tinha salvo-conduto do governo boliviano para sair de seu país.
O diplomata Eduardo Saboia foi o principal articulador da vinda do senador boliviano para o território brasileiro. Em razão da imunidade diplomática, um carro da representação brasileira foi utilizado no primeiro trecho da viagem, mais de 1,6 mil quilômetros, entre La Paz e a zona de fronteira brasileira, até a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Durante todo o trajeto o carro diplomático foi escoltado por fuzileiros navais. Sua entrada em território brasileiro ocorreu no último sábado (24).
Também solicitaram a audiência pública para esclarecimentos os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP), Enio Bacci (PDT-RS), Ivan Valente (Psol-SP) e Íris de Araújo (PMDB-GO).
Fonte: 'Agência Câmara Notícias'