Parlamentares debatem gestão do setor público com representante da siderurgia
20/11/2013 15:11
Os problemas de gestão do setor público dominaram, nesta quarta-feira, a audiência das comissões de Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia com o empresário do setor siderúrgico Jorge Gerdau. A Frente Parlamentar da Infraestrutura também participou do debate.
Gerdau disse que o custo de produção da energia no país é um dos mais baratos do mundo, mas o preço para as indústrias que demandam muita energia, as eletrointensivas, é quase o dobro do de países como França e Argentina por causa dos impostos. O empresário defendeu tarifas mais baixas que as residenciais para esse setor como, segundo ele, é o usual em todo o mundo.
Para Gerdau, o problema da governança está presente nos três principais problemas que o país tem que enfrentar: má qualidade da educação, alta carga tributária e falta de logística.
A maior parte dos deputados presentes concordou com Gerdau. Bernardo Santana de Vasconcellos, do PR de Minas Gerais, destacou a lentidão do setor público:
"O Estado é incompetente, o Estado é pesado; é muito difícil tirar da pessoa o poder do carimbo, o carimbo dá muito poder. E o mundo hoje onde nós pegamos um telefone quando queremos um táxi, colocamos um aplicativo e com dois minutos ele está na porta... a resposta do Estado demora tanto. Isso leva o povo às ruas, também"
Segundo Jorge Gerdau, também é necessário que o país aumente logo a sua capacidade de poupança:
"O Brasil não consegue sair dos 16, 18% de poupança sobre o seu PIB [Produto Interno Bruto]. A China tem um número que é quase absurdo, mas é acima de 40%. Eu toco nesse problema porque isso... O que que é isso? O índice de poupança define meu índice de crescimento"
Gerdau disse que o país tem um atraso de investimentos no setor de transportes da ordem de R$ 600 bilhões, mas o orçamento do ministério setorial é de apenas R$ 15 bilhões, sendo que apenas 9 vêm sendo executados.
O empresário ainda fez questão de ressaltar a necessidade de o governo gastar menos e estimular o setor privado a investir.
"O mundo hoje nos obriga a achar esses caminhos, né? Não adianta fugir da ortodoxia financeira. Você só tem dois modelos: Ou você aperta o mercado e busca a eficiência que o mercado fornece ou faz intervencionismo. Quem gosta de intervencionismo, nós temos o benchmarking na América Latina: Cuba e Venezuela. Falta tudo e etc".
O comentário final foi sobre política externa:
"Eu acho válido o Brasil fazer políticas sul-sul. Mas eu estou louco para ter 20% daquilo que os chineses conseguem exportar para os Estados Unidos. Tem que ser meta ou não? Eu acho que sim"
A política sul-sul é a busca de cooperação em várias áreas entre os países em desenvolvimento, que geralmente estão situados no hemisfério sul do planeta.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Sílvia Mugnatto