Deputados debatem situação dos alojamentos de jovens atletas

A Comissão do Esporte promoveu nesta quarta-feira, 10 de abril, audiência pública para discutir a situação dos alojamentos das categorias de base dos centros de treinamento de futebol pelo país. O debate ocorre dois meses após a morte de 10 atletas com idades entre 14 e 16 anos no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro.
11/04/2019 10h15

Reynaldo Lima / Acervo Cespo

Deputados debatem situação dos alojamentos de jovens atletas

Audiência Pública sobre Centros de Treinamentos

O diretor executivo do clube, Bruno Spindel, foi o primeiro a falar e lamentou a tragédia ocorrida em fevereiro, quando um incêndio destruiu o alojamento improvisado onde dormiam jogadores das categorias de base. Segundo Spindel, hoje o clube está regularizado junto ao Corpo de Bombeiros e tem mais de 200 profissionais para cuidar dos atletas, tendo uma das melhores estruturas de formação esportiva do país, tanto amadora como profissional.

Para o representante do Ministério Público do Trabalho, Ronaldo José de Lira, as fiscalizações nos centros de treinamento muitas vezes encontram irregularidades nas instalações, que alcançam clubes de todos os tamanhos. “Sou contrário a que menores de 16 anos vivam em centros de treinamento, atletas com 14 anos são muito precoces para serem separados de suas famílias e precisam de um ambiente seguro”, diz Lira. Ele defende uma reforma na legislação que possa garantir maior segurança jurídica para os clubes e os jogadores.

Renata Capucci, representante do Goiás Esporte Clube, diz que o trabalho desenvolvido no clube garante assistência integral aos jovens na Casa do Atleta, estando entre os melhores do país por sua estrutura física e disciplina rígida. “Só o Palmeiras tem um centro de treinamento melhor que o nosso”, afirma Capucci.

Segundo Marcelo Lima, gerente do Desportivo Brasil, uma associação com um clube chinês para a captação e a formação de jogadores de futebol, seu centro de treinamento é uma referência mundial como academia de futebol. “Temos uma estrutura que foi pensada como CT desde o início e hoje temos 120 brasileiros e 21 chineses treinando lá nas melhores condições possíveis”, afirma Lima. Para ele, as bases do trabalho são a boa estrutura, a disciplina rígida e a efetividade da proposta.

O deputado Danrlei de Deus Hinterholz, um dos autores do pedido da audiência, afirma que morou no Centro de Treinamento do Grêmio na adolescência e que esses atletas das categorias de base precisam ter o melhor acolhimento possível. “Muitas vezes esses jovens são a esperança de uma vida melhor para a família inteira, precisamos criar um marco regulatório que garanta a segurança dos atletas em todas as modalidades desportivas”, afirma Hinterholz. “Se essa tragédia aconteceu em um clube com a estrutura do Flamengo, imagine o que acontece em outros clubes menores pelo país”.

A audiência também foi solicitada pelos deputados Luiz Lima e Flávia Morais e a Comissão do Esporte já tem programadas mais de 20 visitas técnicas a clubes e centros de treinamento em todas as regiões do país. “Vamos fiscalizar as séries A, B, C e D para saber as condições reais de vida e treinamento desses jovens”, afirma Fábio Mitidieri, Presidente da CESPO.

Comissão aprova requerimentos

Antes da audiência pública, a Comissão do Esporte aprovou requerimentos para discutir a criação da Semana Nacional do Esporte e para visitas técnicas aos Centros de Iniciação Esportiva e debater sua implantação, iniciada em 2010. Também foi aprovada visita à Granja Comary, centro de treinamento da seleção brasileira, e a realização de uma audiência pública sobre o doping no esporte como um problema de saúde pública.

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