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28/05/2018 - 21h26

Greve dos caminhoneiros gera debate no Plenário da Câmara

Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos
Deputados comentaram causas e impactos da greve e medidas para pôr fim à paralisação dos caminhoneiros

Depois de um final de semana de desabastecimento de combustível em vários estados brasileiros e negociações entre grevistas e governo federal, deputados foram à tribuna comentar as causas e os impactos da greve dos caminhoneiros e as medidas provisórias editadas para pôr fim à paralisação.

O deputado Chico Lopes (PCdoB-CE) alertou que a greve demonstrou a dependência do transporte rodoviário pela economia brasileira. Ele criticou a falta de investimento em transporte ferroviário e marítimo. “O País tem condições de ter mudanças no transporte de cargas, já que tem uma vasta rede hidroviária”, disse.

Muitos parlamentares não pouparam críticas ao governo. O deputado Luiz Couto (PT-PB) disse que o Executivo é o grande culpado dessa situação por não ter tomado atitude quando os caminhoneiros alertaram que iriam fazer greve.

Para o deputado Assis do Couto (PDT-PR), é preciso votar com celeridade as três medidas provisórias com as reivindicações dos caminhoneiros (MPs 831/18, 832/18 e 833/18). “Essas propostas precisam ser votadas o mais rapidamente porque há um problema de confiança no governo”, disse. Ele destacou que o movimento grevista se fragmentou e gerou um movimento “perigoso” que pede a intervenção federal.

Já o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) destacou que a insatisfação com o governo tomou conta do movimento grevista e da população. “Essas manifestações que vemos no País são contra o governo, aqui já não é mais uma questão de caminhoneiros ou de óleo diesel, é a questão lamentável em que chegou o Brasil”, disse.

Apesar de reconhecer o esforço do governo federal nas negociações com os caminhoneiros, o deputado Esperidião Amin (PP-SC) disse que o governo foi “desatento” às inúmeras manifestações da sociedade e também do Parlamento sobre os reajustes abusivos dos preços do gás e dos combustíveis.

Petrobras
O deputado Henrique Fontana (PT-RS) pediu a demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente. “O presidente da Petrobras não pode dirigi-la como se fosse a Shell. Isso não atende ao interesse da maioria do País, que é a dona da Petrobras”, disse.

Alguns parlamentares, no entanto, saíram em defesa do presidente da Petrobras. O deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP) disse que Pedro Parente é um técnico competente, que assumiu a empresa em situação difícil. “A Petrobras, na expectativa de subsidiar o petróleo o tempo todo, acabou quebrando”, afirmou.

O deputado defendeu ainda a medida provisória que suspende a cobrança de pedágio pelo eixo suspenso dos caminhões, que trafegam sem carga total (MP 833/18).

Já o deputado Julio Lopes (PP-RJ) destacou que o governo não tem controle sobre o preço do dólar, que tem maior impacto no custo dos combustíveis. “Não se pode conter o dólar”, disse.

Outros deputados ressaltaram que a Petrobras foi alvo de corrupção durante a gestão petista. O deputado Delegado Edson Moreira (PR-MG) disse que a população sofre hoje pelas ações de governos passados, enquanto o governo federal paga pela falta de investimentos em outros modais, como ferrovias e hidrovias.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

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