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01/12/2014 - 09h12

Ex-diretores da Petrobras participam de acareação nesta terça-feira

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras fará, nesta terça-feira (2), uma acareação entre os ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró, da Área Internacional, e Paulo Roberto Costa, de Abastecimento, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

Paulo Roberto Costa denunciou um esquema de propina nas diretorias da estatal para beneficiar partidos políticos com 3% do valor dos contratos com empreiteiras. Cerveró, que comandava uma das diretorias citadas, negou saber e participar de corrupção na Petrobras.

“O Paulo Roberto afirmou que o Cerveró recebeu propina, sim, e o Cerveró negou em 10 de setembro. Vamos colocar os dois frente a frente”, disse o deputado Enio Bacci (PDT-RS), que propôs a acareação.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato, já autorizou a ida de Costa ao Congresso.

Acusado de integrar um esquema de corrupção na companhia, Paulo Roberto Costa cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro, depois de ter feito acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público para contar o que sabe em troca de redução de pena.

Costa já esteve na CPI Mista em setembro, mas se recusou a falar aos parlamentares, sob alegação de que poderia prejudicar seu acordo com as autoridades. Cerveró também já foi ouvido na CPI e negou acusações de que agiu de má-fé para prejudicar a Petrobras na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Expectativa
Para o vice-presidente da comissão, senador Gim (PTB-DF), a CPMI deve avançar muito com a acareação. “Estou acreditando muito nesse novo instrumento para a apuração. A CPMI vai evoluir muito com a acareação”, disse.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) acredita que a acareação será uma contribuição da CPMI à investigação, pois Costa e Cerveró ainda não ficaram frente à frente a pedido da Polícia Federal ou da Justiça Federal de Curitiba. “Poderá ser uma grande oportunidade, eu espero que ela seja, para se esclarecer a extensão de todo esse lamentável episódio que envolve a Petrobras.”

Ele e outros parlamentares da oposição cobram a realização de uma reunião administrativa antes da acareação. O objetivo é aprovar requerimentos como os da quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário do representante da empresa holandesa SBM Offshore no Brasil, Julio Faerman, e de duas empresas ligadas a ele.

Um esquema especial de segurança foi montado para o evento. O acesso será controlado pela polícia do Senado e será restrito a parlamentares, imprensa credenciada e alguns servidores. Três telões serão instalados em salas próximas para quem quiser acompanhar a acareação.

A reunião para ouvir os dois ex-diretores da estatal será realizada às 14h30, no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

Ildo Sauer
Já na quarta-feira (3), a comissão ouvirá o diretor de Gás e Energia da estatal de 2003 a 2007, Ildo Sauer. O executivo deve explicar por que Paulo Roberto Costa citou a diretoria dele como integrante do esquema de corrupção instalado na companhia.

Sauer também disse, em entrevista, que o governo do ex-presidente Lula permitiu que grupos de parlamentares se reunissem com dirigentes da estatal para obter "ajuda". Ele teve os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por causa da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

O tribunal o incluiu como um dos responsáveis por um prejuízo de 92,3 milhões de dólares do descumprimento da sentença arbitral que determinava a compra da segunda metade da refinaria da empresa belga Astra Oil.

A compra da refinaria é um dos quatro eixos de investigação da CPI Mista. O Tribunal de Contas aponta prejuízo de 792 milhões de dólares no negócio.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Com informações da Rádio Senado

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