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18/04/2013 - 14h17

Deputados reclamam da falta de assistência a produtores atingidos pela seca

A atual estiagem, de até três anos em algumas regiões, é considerada uma das mais graves dos últimos 50 anos.

Diógenis Santos
Seca nordeste do Brasil
Em algumas localidades nordestinas não chove há três anos.

Parlamentares ouvidos ontem pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) sobre a seca que assola o nordeste do País reclamaram da falta de assistência aos produtores da região e do baixo empenho orçamentário em programas que poderiam minorar as consequências da estiagem.

A reunião faz parte do planejamento do Cedes para a comissão geral sobre a seca, que ocorrerá no próximo dia 8 de maio, no Plenário da Câmara. Na ocasião, autoridades do Executivo, pesquisadores e especialistas serão convidados para apontar alternativas concretas que possam minorar os efeitos da seca.

A preocupação do deputado Alexandre Toledo (PSDB-AL) é com as dívidas dos produtores rurais. “Com o ritmo em que estão sendo feitas as execuções no Nordeste, brevemente haverá apenas um grande latifúndio pertencente aos bancos”, criticou.

Na próxima reunião, o Centro de Estudos vai convidar diretores do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste responsáveis por empréstimos rurais.

“Além da perda da safra, haverá empobrecimento brutal em razão da morte dos rebanhos por falta de ração e água. Os produtores não têm condição alguma de honrarem suas dívidas”, alertou o deputado Amauri Teixeira (PT-BA).

O parlamentar defende anistia imediata para os pequenos produtores e a ampliação do prazo de pagamento em cinco anos para médios e grandes produtores das regiões mais atingidas.

Falta de tecnologia
Os parlamentares também reclamaram da falta de aplicação prática, por meio de assistência técnica e extensão rural, dos conhecimentos de universidades da região e institutos de pesquisa, como a Embrapa Semiárido. "A questão da seca no Nordeste precisa ser encarada de forma mais abrangente. Como é um fenômeno histórico do Nordeste, faz-se necessário aprender a conviver com o regime de secas", enfatizou o deputado Chico Lopes (PCdoB-CE).

O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, concorda com o parlamentar. Em reunião no Centro de Estudos no último dia 10, ele defendeu a eliminação de gargalos que ainda hoje impedem a transferência de conhecimentos e tecnologias para os produtores. Lopes listou mais de uma dezena de tecnologias geradas pela empresa – de comprovada eficiência no combate aos efeitos da seca – mas que não chegam aos agricultores familiares em função da baixa eficiência do sistema de assistência técnica e extensão rural hoje existente.

Orçamento
Para o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-CE) o principal problema é de descaso do governo federal com as populações do semiárido. Dados apresentados pelo parlamentar mostram que, em 2010, o Congresso Nacional aprovou expressivos valores para os programas do Ministério da Integração Nacional vinculados ao combate à seca, à melhoria do acesso à irrigação e medidas de desenvolvimento sustentável. Entretanto, os cortes na execução orçamentária e os contingenciamentos do orçamento elaborado em 2010, resultaram numa aplicação orçamentária baixíssima em 2011, quando a seca já atingia grande parte do Nordeste.

“O modelo da República Federativa do Brasil criado para lidar com a estiagem no Nordeste está falido. Não há como justificar o fato de um País, que possui tantas instituições dedicadas ao Nordeste, ainda ter dificuldade para conviver com a seca. A melhor forma para combater a seca não é pedir ajuda aos órgãos do Executivo; é denunciar o descaso de tais órgãos com os nordestinos".

O presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), defendeu a articulação entre as ações dos diversos ministérios e instituições para se encontrar soluções definitivas e estruturantes que de fato viabilizem o equacionamento desse desafio histórico que é a seca do Nordeste brasileiro.

Da Redação/ND
Com informações do Centro de Estudos e Debates Estratégicos

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Comentários

LUCIO RODRIGUES | 19/04/2013 - 18h18
O lamentável é que o problema sempre existiu e sempre gastaram milhões em recursos públicos para tentar encontrar uma saída para amenizar o sofrimento dos nossos irmãos nordestinos, afetados pela seca. Enquanto isso a transposição das águas do "velho chico" caminham a passos de tartaruga. Quem sabe daqui a 50 anos os Srs. em fim encontrem uma solução. Isso se o nordestino não sucumbir e o nordeste não se tornar um dos maiores desertos do mundo. "E VIVA ESTA DEMOCRACIA".
weberson | 19/04/2013 - 14h35
Que tal dessalinizar parte do mar e conduzir essa àgua até o sertão? AHHHHHHHHHHHHHHH....é muito caro!!! Pelo que sei os investimentos públicos são pagos pelo povo, o trabalhador e trabalhadora, que diferença faz pagar um pouco a mais????? Vinte anos pagando um Imposto a mais de 2%, quanto que rende??? Se a metade dos brasileiros durante um dia depositar em minha conta 0,01 centavos terei exatamente R$ 1,0 milhão de reais por dia, 30 milhões por mês e 360 milhões por ano...após dez anos terei 3,600 três bilhões e seiscentos milhões de reais! Isso só com R$ 0,01 ( um centavos de reais)
weberson | 19/04/2013 - 14h28
Que tal capturar as cheias dos Estados que tem apresentado abundância de chuvas? Direciona a água para lagos artificiais...bombeia essa agua para as regiões mais secas. Antes de despeja-las faz um tatamento da àgua despoluindo e descontaminando. E despeja essa àgua em grandes lagos artificiais previamente planejados para abranger maior quantitativos de pessoas.
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