José Bonifácio de Andrada e Silva

200 Anos de Independência: Bicentenário do Retorno de José Bonifácio ao Brasil

José Theodoro Mascarenhas Menck
Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados

Há duzentos anos, na segunda metade do ano de 1819, José Bonifácio de Andrada e Silva desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, então sede do Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves, após uma ausência de quase quatro décadas.

José Bonifácio era então reconhecido como a maior autoridade científica do mundo lusófono. Membro das mais importantes academias científicas de então, descobriu quatro espécies de minérios novos, além de ter sido o primeiro a descrever oito variedades de minérios já conhecidos. Também foi catedrático em Coimbra, onde fundou os estudos de Geologia em Portugal.

Em sua movimentada vida, ainda participou da resistência armada contra as tropas de Napoleão Bonaparte, quando da invasão do Reino. Na ocasião, assumiu o comando do Batalhão Acadêmico, formado por estudantes e professores de Coimbra.

Nascido em 1763, na então pacata cidade de Santos, em São Paulo, José Bonifácio retornou ao Brasil, como um realizado senhor de 57 anos, já aposentado, em busca do sossego em sua terra natal, de onde havia partido ainda jovem, um estudante com menos de vinte anos de idade.  

O destino, no entanto, o predestinara a postergar por alguns anos sua pretendida aposentadoria. Os eventos políticos que sacudiram o Brasil naquelas primeiras décadas do século XIX logo o chamariam a ser um dos grandes artífices da construção do Brasil como nação autônoma e país independente.

Após a partida de D. João VI para Portugal, José Bonifácio viria a ser o principal ministro e conselheiro de D. Pedro. Associado a D. Leopoldina, tornar-se-ia o responsável e executor de inflexível política que caminhou, passo a passo, rumo à completa independência do Brasil. Suas duas preocupações principais, como ministro de D. Pedro foram, por um lado, garantir a plena independência do Brasil e, junto com ela, defender nossa integridade territorial. José Bonifácio foi, também, o nosso primeiro chanceler, inaugurando nossa entrada no concerto das nações.

Em verdade, José Bonifácio atuou politicamente por pouco tempo, pouco menos de dois anos e meio (junho de 1821 a novembro de 1823), porém, naquele pequeno período, marcou de forma indelével a história de nosso País. Não há, na nossa história, ninguém que, em tão pouco tempo, tenha influenciado mais nossa trajetória como nação.

Homem de idéias fortes, José Bonifácio se desentendeu com D. Pedro. Foi destituído e, com a dissolução da Constituinte de 1823, preso e deportado para França, de onde voltaria apenas em 1829. Retornou ainda a tempo de prestar um último serviço a D. Pedro I, que o nomeou tutor de seu filho, D. Pedro II. Destituído pela Regência da tutoria do monarca infante, recolheu-se à ilha de Paquetá, onde passou seus derradeiros anos de vida. Faleceu na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, em 1838.

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