22/03/2019 - 10h30

Escolha do relator da Previdência na CCJ foi adiada a pedido do PSL

Líder do partido do presidente Bolsonaro questiona tratamento diferenciado a militares e avalia que foi um erro reestruturar carreiras agora

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Dep. Delegado Waldir (PSL-GO) concede entrevista sobre a reunião de líderes
Delegado Waldir: o governo trouxe um grande abacaxi e precisa mandar a faca

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, deputado Delegado Waldir (PSL-GO), pediu nesta quinta-feira (21) ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), o adiamento da indicação do nome do relator da reforma da Previdência dos civis (PEC 6/19).

Segundo Waldir, Francischini ouviu não só dele, mas também de outros líderes partidários, questionamentos sobre o tratamento diferenciado dado pelo governo federal às reformas da Previdência de civis e militares.

Na opinião do líder do PSL, o governo errou ao encaminhar a reforma da Previdência das Forças Armadas junto com a reestruturação de carreiras militares.

“Ao tomar conhecimento do texto e das diferenças que existem, eu mesmo pedi ao presidente da CCJ, pessoalmente, que ele aguarde a indicação do relator da comissão. Nós não podemos tratar o cidadão brasileiro de forma diferente. Não pode a maioria continuar arcando com algumas diferenças. Eu penso que não foi o timing certo essa reestruturação trazida aos militares”, declarou.

Ouça essa matéria na Rádio Câmara
“Nós não vamos colocar a nossa digital em trem errado. O PSL entrega seus 54, 55 votos numa reforma igualitária para todos os brasileiros, do zelador, do porteiro, do professor, do médico, advogado, do juiz, do político e do militar”, disse o líder.

Na análise do líder do PSL, a reforma da Previdência dos militares não está de acordo com o discurso adotado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que todos serão tratados de forma igualitária.

“Havia uma previsão de economia de quase R$ 100 bilhões com essa reforma dos militares, mas baixou para R$ 10 bilhões. Esses 10% serão os mesmos adotados para todo o pacote de reforma da Previdência? O governo nos trouxe um grande abacaxi, mas não podemos descascá-lo no dente. Tem que mandar a faca para descascar. Precisamos que o governo venha explicar esse tratamento diferenciado às forças militares”, disse Delegado Waldir.

Segundo ele, os deputados não concordam em chancelar a proposta dos militares sem uma explicação. “Isso dificulta que qualquer parlamentar queira colocar sua digital nesse projeto”, finalizou.

Em entrevista ao Jornal Nacional, Francischini manteve o mesmo discurso. “Tudo depende do governo. E dar celeridade realmente a essa articulação política, à montagem da base do governo, senão a Comissão não consegue dar celeridade também. Temos hoje uma oposição bastante aguerrida, temos muitos deputados independentes que estão analisando o projeto; e é importante que o governo entre agora com seus técnicos, sua equipe política, para protagonizar essa questão”, disse o presidente da CCJ.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Wilson Silveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Souza | 25/03/2019 - 10h32
OS MILITARES ESTÃO ROENDO OSSO DESDE À EPÓCA DE FHC. QUEREM CRITICAR OS MILITARES, FAÇA, MAIS COMO ENTENDIMENTO DA MATÉRIA. AGORA POR QUE NINGUÉM FALA DOS SUPERSALÁRIOS DOS PARLAMENTARES???
Nilcileia | 25/03/2019 - 10h24
Pare um pouco e pense: Qual escola privada contrataria um professor de 70 anos? Qual professor com 65 aguentará ficar em uma sala de aula com 50 alunos, sofrendo ameaças e sendo xingados todos os dias, isso, para conseguir os quarenta anos em sala de aula para garantir a integralidade? Qual empresa de ônibus contrataria um motorista de 75 anos? Qual empreiteira contrataria um pedreiro de 80 anos? As pessoas vão adoecer, serão demitidas e não conseguirão mais trabalhar. Parem de dizer que os professores estão fazendo barulho porque não querem perder privilégios. Privilégios? Onde?
Marcos | 25/03/2019 - 09h44
Guedes deixou claramente lastros para serem lapidados pela câmara e pelo senado, afim de deixar a base do texto íntegra. Deputados, chutem fora algumas bolas que estão quicando como a mudança do BPC, aposentadoria rural e idade das mulheres, mas não esqueçam de deixar pelo menos uma para os excelentíssimos senadores, assim todos ficam bem.