14/12/2017 - 17h36

Prevenção é melhor caminho para combater pedofilia na Internet, dizem especialistas

Agentes públicos e psicólogos lamentam falta de políticas públicas consistentes para enfrentamento da pedofilia e crimes sexuais contra crianças e adolescentes nas redes sociais e concordam que a prevenção ainda é o melhor caminho para combater o problema.

O assunto foi debatido em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara nesta quinta-feira (14).

Integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Iolete Ribeiro destacou que o mais importante em relação a esse tipo de crime é a prevenção. 

Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Audiência pública para debater sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes na internet
Audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara

"Porque a única abordagem que a gente tem nas políticas públicas é para quando a criança já foi vítima da violência, para se fazer a apuração e a responsabilização penal e minimamente oferecer algum acompanhamento para essa criança", alertou.

Para o deputado Roberto Alves (PRB-SP), autor do requerimento para o debate, é preciso informar os pais dos perigos existentes na Internet, alertando para a necessidade de se monitorar crianças.

"Conscientizá-los desde que criancinhas para que não fiquem se expondo na Internet para pessoas que não conhecem", ressaltou.

Denúncias
O presidente da OnG SaferNet, Thiago Tavares, destacou a importância da denúncia da população para que os órgãos públicos possam atuar no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes pela Internet. Mas ele reclama da falta de aparelhamento dos órgãos responsáveis para lidar com esses crimes, que precisam de solução rápida.

"São crimes gravíssimos, mas que nunca foram considerados prioridade do Estado brasileiro. É um problema crônico que se arrasta há décadas", lamentou.

Recursos
Já o presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Joel Gomes, reclamou da falta de recursos para políticas públicas de enfrentamento ao problema, o que, segundo ele, faz com que o poder público fique sempre um passo atrás da atuação dos pedófilos e exploradores sexuais.

Reportagem - Karla Alessandra
Edição - Geórgia Moraes

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'