Terrorismo volta à pauta da Câmara dos Deputados

A preocupação com o terrorismo voltou à pauta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, nesta quarta-feira, 27/05. Especialistas reuniram-se para discutir as medidas do governo brasileiro diante de especulações sobre um possível recrutamento de jovens em território brasileiro por parte do grupo Estado Islâmico. O debate também se estendeu sobre as ações de prevenção contra possíveis atentados terroristas por ocasião da realização de grandes eventos internacionais no Brasil, como a Olimpíada de 2016.
27/05/2015 15h25

Foto: Claudia Guerreiro

Terrorismo volta à pauta da Câmara dos Deputados

Sheik Jihad Hassan Hammadeh, André Luís Woloszyn, Jorge Lasmar, Carlos Zarattini, Marcus Reis e Marcelo Rech

Convidados para compor a mesa o Sheik Jihad Hassan Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da União Nacional Islâmica (UNI), André Luís Woloszyn, consultor de organizações internacionais em assuntos de terrorismo e conflitos, Jorge Lasmar, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, Marcelo Rech, jornalista e especialista em estratégias e políticas de defesa e terrorismo e Marcus Reis, especialista em contraterrorismo e contrainsurgência.

Enquanto André Woloszyn destacou que “o fenômeno do terrorismo não é suficientemente claro para as nossas forças de segurança e nossas forças de defesa”, Jorge Lasmar esclareceu que o “terrorismo não tem nada a ver com o islamismo e não há nada da religião islâmica que permita este tipo de violência”. Ele explicou que este é um fenômeno antigo e diversas religiões – incluindo o cristianismo e o judaísmo – já o vivenciaram de alguma forma.

“Não sei falar de terrorismo. Eu sei falar de paz”. Com estas palavras o Sheik Jihad Hammadeh deu início ao seu discurso. Em continuidade, lembrou que é este o Islã que os muçulmanos conhecem, e não os terroristas, “que se dizem muçulmanos” e se apropriam indevidamente do nome ‘Islã’ para espalhar a morte e a destruição. “Como muçulmano eu me pergunto: quem está por trás do Estado Islâmico? Quem está por trás do ISIS? Quem os financia? Eu me pergunto: a quem eles beneficiam? Aos muçulmanos? Não! Basta ver a perseguição que têm aos muçulmanos”, completou em veemente fala para mostrar que a comunidade muçulmana também é vítima deste tipo de ação.

Explicando a importância de se trabalhar em uma legislação apropriada para o enquadramento do crime de terrorismo, o deputado Raul Jungmann frisou que é preciso superar algumas “falsas visões” e que “se não entendermos que uma legislação antiterrorismo não significa, necessariamente, assumir uma posição contrária aos nossos irmãos árabes, nós continuaremos com uma lacuna em termos de defesa e organização no que diz respeito ao aspecto terrorismo”.

Jungmann destacou que o Brasil precisa desta discussão “porque  almejamos projeção internacional”. E comentou que ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU, significa “trazer para si os problemas do mundo” e que não se vai para este lugar sem ter que arbitrar conflitos internacionais e globais, havendo “um preço a se pagar por isso”.  “Não é possível ter projeção internacional sem ter segurança interna no que diz respeito ao terrorismo”, completou.   

Por sua vez, a presidente da Comissão, deputada Jô Moraes, deixou claro que o que interessa, no contexto do debate, são as medidas concretas que o Brasil tem que tomar para responder às preocupações da sociedade. Como presidente da Comissão de Controle da Atividade de Inteligência (CCAI), Jô mostrou-se preocupada com alguns aspectos comentados na ocasião. “Temos que separar inteiramente o terrorismo de toda e qualquer diferença étnica, racial ou religiosa. Temos que estar sempre atentos, na cultura do combate ao terror, à necessidade de dar voz aquelas comunidades que estejam sofrendo preconceitos, como a comunidade muçulmana; por fim temos que criar um sistema próprio, autônomo, para assegurar nossa segurança e isto exige o aparelhamento do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a adequação da nossa legislatura e da nossa legislação para que não dependamos de informações de Estados e nações que nem sempre representam o povo brasileiro”.

 

 

 

Cláudia Guerreiro

Assessora de comunicação da CREDN

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