Seminário debate os desafios da China para o Brasil

O último painel de debates do Seminário de Política Externa Brasileira trouxe uma análise profunda das relações do Brasil com a segunda maior economia do planeta, a República Popular da China. A presença chinesa no protagonismo econômico planetário trouxe novos desafios ao sistema financeiro internacional. “Todo mundo sabe que a China cresceu de maneira fantástica nos últimos 40 anos. Esse país deu início a um processo de industrialização que revolucionou. Antes da segunda República, a China possuía uma economia igual a da Bélgica. Hoje, é a segunda maior da terra. É um êxito que não tem paralelo na história, nem mesmo o Japão fez algo parecido”, afirmou o embaixador Affonso Celso Ouro Preto.
19/09/2012 20h00

Foto: Richard Silva

Seminário debate os desafios da China para o Brasil

Segundo Elias Jabbour, especialista em China, o país pratica uma espécie de mercantilismo moderno, com altas taxas de investimento, câmbio indutor de exportações e planejamento de comércio exterior, com foco na transferência de tecnologia. Para Jabbour, embora Brasil e China pertençam aos chamados países emergentes que compõem o BRICS, a disparidade entre os asiáticos e os sul-americanos é gigantesca. “A China tem 149 conglomerados empresariais, com companhias de porte global. Nós só temos a Petrobrás. Dá para perceber a grande diferença econômica entre os dois países”.

Outro fator que pesa na balança comercial entre Brasil e China é da falta de conhecimento dos latino-americanos em relação aos orientais. “Eu assinalaria alguns pontos negativos da nossa parte. Existe um grande desconhecimento da China, que às vezes beira o preconceito. O Brasil não se acostumou com a idéia, principalmente suas elites, de que os centros de poder se deslocaram, não estão mais apenas no Atlântico, mas também no Pacífico. Essas elites têm dificuldades de conhecer e reconhecer esse mundo que muda muito rapidamente”.

Embora considerado um império em potencial, para os analistas, “não se percebe uma tentativa chinesa de exportar uma ideologia, como aconteceu com a União Soviética, na Guerra Fria. A China visa desempenhar um papel de líder regional, o que não é totalmente aceito pelos Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, um depende do outro”.

Para os analistas, a China, entrou numa nova fase de investimentos. “O enorme progresso chinês passa por uma readaptação. Diante da crise mundial de 2008, a China tende a dar uma atenção maior ao seu mercado interno. Tende, também, a desenvolver uma indústria cada vez mais sofisticada, que hoje possui grande valor agregado, e ainda assim é um gigante que cresce muito, embora com taxas menos invejosas, como há alguns anos atrás”.

Também participaram da mesa a Diretora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Acioly e o Professor da Unesp e membro do Instituto Confúcio, Luis Paulino. O o deputado Leonardo Gadelha coordenou  a mesa de debates.

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