Especialistas debatem papel da imprensa brasileira no Oriente Médio
O chefe do escritório da Folha de S. Paulo em Teerã, Irã, Samy Adghirni, falou sobre o papel do correspondente internacional no Oriente Médio e ressaltou as diversidades culturais, sociais e políticas da região. Ao falar da sua cobertura jornalística, Samy Adghirni ressaltou que trabalha para "humanizar" o Irã. “O país tende a ser visto como um país de governo complicado, autoritário, mas esquecem das pessoas, com seus dramas, alegrias individuais e coletivas. Existem diversos posicionamentos políticos e culturais".
O analista internacional e editor do site de notícias InfoRel, Marcelo Rech, relatou sua experiência profissional e afirmou que existe uma grande dificuldade em obter informações nos países do Oriente Médio devido, especialmente, a questões ideológicas. Entretanto, Marcelo Rech lembrou que em viagem a Israel não teve dificuldade para acessar diversas cidades e autoridades. “A democracia em Israel dá um baile na democracia brasileira no quesito acesso à informação. Os palestinos nos levaram para conversar com diferentes grupos ideológicos. Tive uma rica experiência em três cidades israelenses”.
Na avaliação de Marcelo Rech, o trabalho jornalístico nas regiões de conflito devem ser desprovidos de preconceitos. “Me preparei dois meses para ir ao Irã. É importante que o jornalista não tenha nenhuma opinião formada sobre os problemas vividos na região. Assim, poderá realizar um trabalho de alto nível, profissional”, defendeu.
A presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta Pela Paz (Cebrapaz), Socorro Gomes, fez críticas ao domínio israelita que, segundo ela, conta com o apoio dos Estados Unidos e impede a criação de um estado palestino. “O estado da Palestina é um direito, uma questão humanitária. Precisamos que os diálogos substituam as armas e acabem com o genocídio contra povos que lutam por liberdade”.