Especialistas abordam o Contexto Geopolítico Internacional

O segundo painel do primeiro dia do Seminário sobre Política Exterior do Brasil abordou “O Contexto Geopolítico Internacional e os desafios à Política Externa Brasileira”. Na mesa estavam presentes o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, a subsecretária-geral de Política II do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, a professora da Unifesp, Cristina Pecequilo, o Professor Doutor da USP, Paulo Daniel Elias Farah, e o Professor da PUC-SP, Reginaldo Mattar Nasser.
18/09/2012 20h01

A temática dos BRICS e os desdobramentos políticos, diplomáticos e econômicos da Primavera Árabe e do Oriente Médio tomaram conta das discussões do painel.  “Hoje o que chama a atenção da comunidade internacional, é esse mecanismo político diplomático que foi constituído entre Brasil, Russia, China, Índia e, mais recentemente, a África do Sul” afirmou a professora da Unifesp, Cristina Pecequilo.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães discursou sobre a crise financeira do sistema neoliberal que levou à crise econômica mundial. “Muitos países eram citados como modelos permanentes aos países em desenvolvimento, por isso, nós, subdesenvolvidos, deveríamos adotar as mesmas políticas. Foi justamente por não ter privatizado tudo, que não seguimos no mesmo caminho dessas nações em crise. Se assim não fosse, hoje o Estado não teria mecanismos para lutar”, defendeu o embaixador.  Para Guimarães, outro tema decisivo  para o Brasil, hoje, é a soberania nacional. “Um país não é soberano se não tem defesa. E não tem defesa se não tem indústria de defesa. Portanto, não tem indústria de defesa se não tem uma indústria forte. Está tudo interligado”.

O professor Reginaldo Mattar Nasser, da PUC de São Paulo, ofereceu explicações sobre o momento delicado em que vive o Oriente Médio, falou do grande interesse dos países ricos do G7 na região e criticou a demora da diplomacia brasileira em se posicionar. “No processo de reconhecimento da primavera árabe houve uma inaceitável demora do posicionamento da diplomacia brasileira no reconhecimento do processo. Um debate como esses nos ajuda a refletir nossas posições”, defendeu.

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB/MG) foi o mediador do segundo painel do primeiro dia de Seminário.