Especialista aponta a Internet como principal instrumento do terrorismo
Brasília – A Internet tem sido o principal instrumento utilizado pelas organizações terroristas, especialmente o Estado Islâmico, afirmou o jornalista e professor universitário português licenciado pela Universidade de Tel Aviv, Henrique Cymerman Benarroch, em audiência pública realizada nesta quarta-feira, 7, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa, do Senado.
De acordo com Benarroch, o Estado Islâmico perdeu força e está perdendo a guerra contra a coalizão de países árabes e os Estados Unidos. No entanto, a sua grande vitória se deu com o “califado digital”. Por meio da rede mundial de computadores, a organização cooptou milhares de jovens em todo o mundo e essa herança será utilizada por outros grupos jihadistas.
Segundo ele, “temos que desenvolver uma contranarrativa para violências praticadas em nome de Deus. O Estado Islâmico utilizou tecnologias do século 21, sem dúvida as redes sociais, para impor um sistema de vida do século 7, dos princípios do Islã, com uma série de leis baseadas na Sharia, uma legislação que de alguma maneira pertence a outra época”, destacou.
Autor do livro “O Terror Entre Nós - Ameaça do terrorismo islamista ao modo de vida ocidental”, Henrique Cymerman Benarroch lembrou que 60% dos terroristas que cometeram atentados na Europa são filhos de imigrantes que não assimilaram a cultura local. Ainda assim, 98% das vítimas destes atentados são muçulmanos, ressaltou.
Além disso, afirmou que, apesar da cooperação internacional que une esforços contra o terrorismo, parte dele já aponta inclusive em direção à América Latina. Para o especialista, as recentes revoluções no mundo árabe estão mudando a configuração do mapa da região. Síria, Iraque, Iêmen e Líbia, além da Somália, na África, “praticamente desapareceram”, disse.
“Eu suspeito que vamos ver uma espécie de balcanização, na qual vamos voltar um pouco à situação de 1916, quando havia zonas de influência e não só Estados. Segundo uma base étnica, religiosa, xiitas com xiitas, sunitas com sunitas. Talvez Curdistão independente, talvez Palestina independente”, assinalou.
Com esse novo cenário no Oriente Médio, cinco eixos deverão despontar: Egito, Arábia Saudita, Turquia, Irã e Israel. Ele também chamou a atenção para o Irã como o país que apoia o maior número de grupos terroristas no mundo, a exemplo do Hezbollah no Líbano e do Hamas na Faixa de Gaza.
Ele também entende que chegou o momento de se criar um Estado Palestino, provavelmente desmilitarizado, com todos os direitos e que viva em paz com Israel. E a condição prévia para isso é a segurança, “para que não aconteça na Cisjordânia o que aconteceu em Gaza” com o terrorismo.
Para Bruna Furlan, “tivemos um debate de alto nível com um profissional que conhece o Oriente Médio, seus atores e tudo aquilo que diz respeito ao conflito. O Brasil advoga pela paz naquela região e condena de forma contundente toda forma de terrorismo”, assinalou.
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