Diretor-geral da PF não comparece e Comissão convoca o ministro da Justiça

Rodrigues foi convidado em duas oportunidades para falar sobre a atuação da PF no exterior e a troca do delegado que investigava o filho do presidente da República por suposto envolvimento em um esquema de corrupção no INSS.
20/05/2026 14h05

Assessoria de Imprensa CREDN

Diretor-geral da PF não comparece e Comissão convoca o ministro da Justiça

Audiência Pública

Brasília – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não compareceu à audiência pública desta quarta-feira, 20, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) para a qual estava convidado, sem apresentar qualquer justificativa. A ausência do chefe da PF motivou a CREDN a convocar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Andrei Rodrigues foi convidado em atendimento aos requerimentos aprovados pelo Colegiado, de autoria dos deputados Evair Vieira de Melo (PP-ES), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Marcel van Hattem (NOVO-RS), Mario Frias (PL-SP), Rodrigo Valadares (PL-SE), Helio Lopes (PL-RJ), e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

A audiência pública pretendia esclarecer a atuação internacional da Polícia Federal e seus desdobramentos institucionais, notadamente no caso da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos EUA, bem como explicar o mal-estar diplomático criado com os EUA acerca da suposta atuação de agente da PF naquele país.

Além disso, os deputados queriam saber o que motivou a troca de delegados da Polícia Federal que investigavam a suposta participação do filho do presidente da República no esquema de corrupção envolvendo o INSS e as relações entre o Banco Master e um escritório de advocacia de parente de ministro do STF.

Vice-presidente da Comissão, o deputado Marcel van Hattem fez questão de abrir a reunião. Segundo ele, “a conduta adotada representa grave desconsideração institucional para com esta Comissão e a Câmara dos Deputados. O silêncio, a evasiva e a recusa em comparecer ao Parlamento jamais fortalecem as instituições republicanas. O comparecimento do Sr. Andrei Rodrigues, não constitui favor pessoal, tampouco liberalidade administrativa. Trata-se de dever inerente ao regime democrático, ao princípio republicano e ao necessário controle político exercido pelo Poder Legislativo”, explicou.

Dessa forma, diante da ausência injustificada do diretor-geral da Polícia Federal, a CREDN que já havia aprovado dois requerimentos de convocação do ministro da Justiça e Segurança Pública, decidiu por realizar a reunião na próxima quarta-feira, 27.

Repercussão

Também vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, o deputado General Girão (PL-RN) comparou o comportamento do diretor da PF à Gestapo, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, pela perseguição de políticos conservadores.

“Andrei Rodrigues tem de responder por suas reuniões com ministros do STF, pela troca de delegado na investigação do filho do presidente da República, e pelas operações ilegais de monitoramento do ex-deputado Alexandre Ramagem e sua família, nos EUA, à margem das leis americanas”, advertiu.

Líder da Oposição, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) lembrou a declaração do então ministro da Justiça, Flávio Dino, quando afirmou que “a Polícia Federal está a serviço da “causa” de Lula e do Brasil”. O parlamentar prometeu cobrar providências da Presidência da Câmara.

Evair Vieira de Melo (PP-ES) considera vergonhosa a instrumentalização e politização da instituição. “As pessoas passam, mas a instituição fica e a gestão desse diretor-geral deixará uma mácula negativa. Estamos convivendo com vazamentos seletivos da própria PF”, observou.

Assessoria de Imprensa CREDN