Desenvolvimento da Base Industrial de Defesa é desafio para o Brasil
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Segurança e Defesa (ABIMDE), Sami Youssef Hassuani, explicou que o país precisa de um aporte anual de cerca de R$ 18 bilhões para viabilizar a sua indústria de Defesa. O país aplica em média R$ 7 bilhões.
Hassuani falou no Seminário “Estratégia de Defesa Nacional”, promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (CREDN), encerrado nesta quarta-feira, 28.
Ele explicou que o setor Defesa tem potencial para gerar até 400 mil empregos. Atualmente, as 180 empresas filiadas à ABIMDE geram 40 mil empregos diretos e 160 mil indiretos. Do total das empresas, 15% exportam com regularidade um volume aproximado de US$ 1,7 bilhão.
No entanto, o país deve se preparar para a negação do acesso a tecnologias sensíveis. Foi o que alertou o professor da Escola de Guerra Naval (EGN), William de Sousa Moreira que apresentou um histórico do cerceamento e restrições tecnológicas à indústria de Defesa, em especial aos programas espacial e nuclear.
Jairo Cândido, diretor do Departamento de Defesa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (COMDEFESA/FIESP), destacou que os recursos para a Defesa são insuficientes apesar do ambiente de crescimento dos orçamentos militares.
“O Brasil fincou posição ao pôr fim às compras de prateleiras e vincular o reequipamento das Forças Armadas ao desenvolvimento tecnológico, no entanto, a indústria de Defesa produz o que as Forças Armadas necessitam”, destacou.
Cândido revelou, ainda, que os grandes projetos de Defesa estão sendo desenhados para as grandes empresas e conglomerados e não para as pequenas e médias que formam a Base Industrial de Defesa. Segundo ele, “não podemos delegar a três ou quatro conglomerados a soberania nacional”.