Brasil quer aumentar presença política e econômica no Oriente Médio

O Brasil pretende aumentar a sua presença política e econômica no Oriente Médio, conforme afirmou o embaixador extraordinário para a região, Cesário Melantonio Neto, um dos conferencistas no Ciclo de Debates “Diálogos Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades no Oriente Médio”, realizado nesta quarta-feira, 17, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados.
18/10/2012 17h00

Foto: Richard Silva

Brasil quer aumentar presença política e econômica no Oriente Médio

O evento foi dividido em duas mesas, uma pela manhã e outra à tarde.

Pela manhã, o embaixador Melantonio Neto esteve acompanhado por Hussein Ali Kalout, diretor de Relações Internacionais do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e pelo consultor e estrategista internacional, Thiago de Aragão.

De acordo com eles, o Brasil precisa acompanhar com atenção os desdobramentos políticos no Oriente Médio para poder ampliar o seu protagonismo e a presença de empresas públicas e privadas naqueles países.

Para Thiago de Aragão, é preciso que os empresários entendam a política externa brasileira para o Oriente Médio no curto, médio e longo prazos. Além disso, necessitam identificar os nichos de mercado para tornar os investimentos ainda mais positivos.

O embaixador Cesário Melantonio Neto, acredita que a Primavera Árabe irá abrir oportunidades de cooperação para o Brasil. “A construção de instituições nos regimes mais democráticos e a cooperação eleitoral serão novas áreas nas novas democracias do Oriente Médio”, afirmou.

Ele destacou ainda que nos últimos oito anos o Brasil intensificou suas relações com os quatro principais países da região – Egito, Turquia, Arábia Saudita e Irã – além de firmar cooperação com a Organização de Cooperação Islâmica, que reúne 57 países.

Já o diretor de Relações Internacionais do STJ, Hussein Ali Kalout, explicou que a Primavera Árabe não surgiu do nada e que em duas ou três décadas haverá uma mudança completa no mapa geográfico da região. Além disso, afirmou que no Oriente Médio não haverá uma democracia liberal de modelo ocidental.

Em relação à Síria, assegurou que a crise no país extrapola a Primavera Árabe e é muito mais uma versão nova do embate entre Ocidente com Oriente. “Nada vai acontecer na Síria se isso afetar a segurança de Israel. Israel não tem interesse em mudanças na Síria onde há uma paz fria há quase quatro décadas”, destacou.