Política e Administração Pública

CPI da Petrobras inicia reunião sem a presença de Renato Duque

19/03/2015 - 09:32  

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O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, autorizou o depoimento do ex-diretor da Petrobras Renato Duque à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na estatal. O depoimento está atrasado porque Duque ainda nem chegou à Câmara. A CPI, no entanto, já iniciou a reunião no plenário 2.

Duque está preso em Curitiba, mas virá prestar depoimento na Câmara. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, suspendeu excepcionalmente a decisão que impede que pessoas presas prestem depoimento dentro das dependências da Casa.

Renato Duque já havia sido preso em uma das etapas da Operação Lava Jato, mas foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal. Agora, Duque está preso porque movimentou dinheiro em contas no exterior.

Na CPI, o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco acusou Duque de receber propina de empresas contratadas pela estatal. Segundo Barusco, metade do dinheiro era repartida entre ele e Duque, e a outra metade ficava com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Segundo o delator, Vaccari era ligado a Duque e recebeu algo entre 150 e 200 milhões de dólares em propinas, em nome do partido. Duque e Vaccari negam as acusações.

O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), explica em que condição Duque será ouvido pelos deputados: "Na condição de investigado. Ele é réu no processo. Nós temos a expectativa de que possa ajudar nas investigações".

Depoimento de Vaccari
Na terça-feira da semana que vem, depois do interrogatório de Duque, a CPI vai se reunir para votar novos requerimentos de audiência. Vários deles pedem que seja ouvido o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Presidente da CPI da Petrobras, dep. Hugo Motta (PMDB-PB) concede entrevista
Presidente da CPI, Hugo Motta: Renato Duque é réu no processo da Lava Jato e deporá na condição de investigado.

O depoimento é defendido por parlamentares da oposição, como explica o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA): "Acho fundamental que o tesoureiro do PT, o João Vaccari, que foi denunciado, seja convocado para prestar seus esclarecimentos".

A convocação de Vaccari é dada como certa na CPI. O relator da comissão, deputado Luís Sérgio (PT-RJ), já admite o interrogatório do tesoureiro do PT: "No momento oportuno, este requerimento será avaliado. Na minha avaliação, ele virá à CPI para prestar os esclarecimentos que deve à sociedade brasileira".

Propina de R$ 10 mi
Vaccari também foi apontado pelo vice-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, Eduardo Leite, como destinatário de uma propina de R$ 10 milhões na forma de doação oficial ao PT.

Essa linha de investigação lança suspeitas sobre doações oficiais de campanha feitas aos partidos, como explica o deputado Ivan Valente (Psol-SP): "A situação se misturou tanto que 60% dos parlamentares receberam doações das empresas implicadas diretamente no processo da Lava Jato. As pessoas não sabem nem o que é propina nem o que é dinheiro oficial para os partidos ou para os mandatos. Isso é muito grave".

Outros depoimentos
A CPI da Petrobras já decidiu a ordem dos próximos depoimentos. Depois de Renato Duque, serão ouvidos o empresário Júlio Faerman, ex-representante da SBM Offshore (dia 26/03); Glauco Legati, gerente da refinaria Abreu e Lima (dia 31/03); e Hugo Repsold, diretor de Gás e Energia da Petrobras (dia 07/04).

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Newton Araújo

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