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25/03/2014 - 14h52

Câmara lança biografia sobre ex-deputado morto durante a ditadura militar

Um dos principais opositores do regime militar, Rubens Paiva foi assassinado nas dependências de um quartel em janeiro de 1971. Sua morte, porém, só foi confirmada décadas depois.

RUBENS PAIVA
Rubens Paiva foi vice-presidente de CPI que investigou irregularidades de órgão criado para combater o comunismo.

Por ocasião dos 50 anos do golpe militar, a Câmara dos Deputados lança no próximo dia 1º de abril o Perfil Parlamentar de Rubens Paiva, biografia sobre o ex-deputado federal assassinado em 1971 em um quartel no Rio de Janeiro. Ele foi um dos principais opositores do regime militar.

Escrito pelo jornalista Jason Tércio, o livro traz informações inéditas sobre a prisão e a morte do ex-parlamentar. A publicação apresenta, por exemplo, o documento, com carimbo de confidencial, a respeito da detenção de Rubens Paiva e informa que ele foi levado no dia 25 de janeiro de 1971 para o Quartel General da 3ª Zona Aérea e de lá para o extinto Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), no Rio de Janeiro.

Engenheiro civil de formação, Paiva começou sua curta carreira política em 1962 como deputado federal pelo PTB de São Paulo. No ano seguinte, foi vice-presidente da CPI que investigou irregularidades no Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), órgão que combatia o comunismo no País. Jason Tércio diz que o livro traz novidades sobre o trabalho ativo de Rubens Paiva na CPI, que provocou a cassação de seu mandato pelo Ato Institucional nº 1, em 1964.

De acordo com o autor, esse Perfil Parlamentar tem um caráter diferente dos já publicados anteriormente. "É didático porque coloco também como se deu toda a trama do golpe militar e o que ocorreu com Rubens Paiva quando voltou do exílio. Ele continuou atuando politicamente, mas de maneira discreta pois não tinha mais mandato”, explica Jason Tércio.

Desaparecimento
No dia 20 de janeiro de 1971, a casa de Rubens Paiva em Ipanema foi invadida – o ex-deputado foi levado por militares da Aeronáutica sem mandado de prisão. Autoridades militares justificaram a detenção sob o argumento de que Paiva mantinha correspondência com brasileiros exilados no Chile. Havia a suspeita de que ele servisse de contato do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e também do homem mais procurado do país, Carlos Lamarca, o que Jason Tércio desmente no livro.

Rubens Paiva foi dado como desaparecido pelo Exército, que declarou que ele havia sido sequestrado ao ser levado por agentes do DOI-Codi. A versão foi contestada por sua esposa, que, baseada em depoimentos de testemunhas, afirmou que ele teria sido torturado até a morte.

A biografia apresenta as diferentes hipóteses de desaparecimento de Rubens Paiva, inclusive a mais provável, na opinião de Jason Tércio, de que ele teria sido enterrado na Floresta da Tijuca. "Porque ali havia uma delegacia vinculada aos órgãos de repressão. Um militar [em depoimento à Comissão Nacional da Verdade] informou que o corpo foi desenterrado de lá, enterrado na praia do Recreio dos Bandeirantes e, dois anos depois, jogado no mar ou no rio."

Serviço
O atestado de óbito de Rubens Paiva foi emitido apenas em 1995, após a publicação da Lei dos Desaparecidos Políticos (9.140/95). O lançamento do livro Perfil Parlamentar de Rubens Paiva será realizada na entrada do auditório Nereu Ramos da Câmara, às 18 horas. Uma hora antes, será inaugurado um busto de Rubens Paiva no Hall da Taquigrafia.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Marcelo Oliveira

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