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31/03/2015 - 18h05

Ex-gerente defende procedimentos da Petrobras e irrita deputados

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para ouvir o depoimento do ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu e Lima (Renest), Glauco Colepicolo Legatti
Durante o depoimento de Glauco Legatti, integrantes da CPI da Petrobras acusaram o ex-gerente da refinaria Abreu e Lima de mentir à comissão e de subestimar a inteligência dos deputados

O ex-gerente geral da refinaria Abreu e Lima, Glauco Legatti, negou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras superfaturamentos apontados em auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) em obras da estatal. Segundo ele, as conclusões seriam resultado de diferenças de metodologia usadas na contratação e na fiscalização. “Tínhamos uma dificuldade em entender os critérios usados pelo TCU e, quando entendemos, começamos a explicar as razões e diminuir esses valores”, disse, em depoimento nesta terça-feira (31) na Câmara dos Deputados.

Ele foi questionado pelo relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), a respeito do superfaturamento apontado nos serviços de terraplenagem. Segundo o TCU, a terraplenagem da área da refinaria teve sobrepreço de R$ 69 milhões. Formaram o consórcio responsável pelo serviço as empresas Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Galvão Engenharia, investigadas na Operação Lava Jato. “Nós justificamos depois esses valores e o cálculo caiu para R$ 18 milhões”, disse.

Legatti também justificou os 396 aditivos celebrados entre a Petrobras e as empresas contratadas para a construção da refinaria como resultado de mudanças no projeto. Mas disse que isso não significa qualquer irregularidade, mas sim adequações da obra. Segundo Legatti, a Petrobras tinha um sistema de controle interno que obrigava qualquer alteração a passar por várias fases de avaliação e autorização.

Irritação
O depoimento de Legatti irritou os integrantes da CPI. O deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), sub-relator de Superfaturamento e Gestão Temerária na Construção de Refinarias da CPI da Petrobras, demonstrou irritação com o ex-gerente geral da Refinaria Abreu e Lima, Glauco Legatti, que negou envolvimento em irregularidades na empresa e defendeu o controle interno e a lisura nas licitações da estatal.

“O senhor quer dizer que todo mundo está errado? Que o juiz Sérgio Moro (da 13ª Vara Federal de Curitiba) está errado? E que as pessoas que estão fazendo delações premiadas estão mentindo?”, questionou o deputado.

Côrtes acusou Legatti de não estar dizendo a verdade. “O senhor tome cuidado porque está sob juramento e vem aqui para dizer que todos os procedimentos foram corretos, que não houve irregularidades e que não recebeu propina”, disse.

“O senhor tem medo de ser preso?”, perguntou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), também sub-relator da comissão. “Não. Eu não fiz nada para ser preso”, respondeu.

“O senhor está dizendo que todos os procedimentos feitos pela Petrobras eram corretos e que as irregularidades foram feitas fora da empresa. O senhor está subestimando nossa inteligência”, disse a deputada Eliziane Gama (PPS-MA). “Este senhor nos toma como retardados mentais”, resumiu o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).