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18/05/2004 - 16h10

Mulheres são as mais pobres entre os pobres do mundo

Na manhã de hoje, o seminário "Feminização da Pobreza, Emprego e Renda" concluiu que as mulheres são as mais pobres entre os pobres no mundo e que os países precisam incorporar o tema nas suas políticas públicas para pôr fim a esse fenômeno. A subsecretária de Políticas para a Mulher, Ângela Fontes, ressaltou a necessidade de uma ação coordenada entre os ministérios para gerar emprego e renda para as brasileiras.
Os resultados do seminário deverão ser publicados para orientar a adoção de políticas na área econômica e do trabalho que promovam mais eqüidade e igualdade no desenvolvimento do País.

Mulher trabalha mais
A relatora da comissão externa que estuda a feminização da pobreza, deputada Luci Choinacki (PT-SC), afirmou que, quando viajou pelo País debatendo a proposta de aposentadoria para donas de casa, encontrou mulheres com mais de 70 anos sendo babás de netos para garantir a sobrevivência.
A parlamentar reclama que, mesmo desempregadas, as mulheres trabalham mais. Para comprovar isso, citou pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que revelou que, mesmo quando o casal está desempregado, a mulher trabalha 14 vezes mais do que o homem cuidando da casa e nove vezes mais cuidando dos filhos.
O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ronaldo Lopes Leal, disse que, embora a realidade do País aponte para a feminização da pobreza, as brasileiras estão lutando para mudar esse quadro. Segundo Leal, na Justiça do Trabalho, as mulheres já são quase maioria entre os juízes.

Política econômica
A presidente da Comissão Especial do Ano da Mulher, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que presidiu o debate, destacou que o Brasil precisa ter uma mudança profunda na política econômica. "A começar pela valorização do salário mínimo, que pode encurtar o hiato entre homens e mulheres e tirar as mulheres dessa faixa tão miserável de pobreza e de indigência que o Brasil ainda tem hoje. Aliás, o Brasil é campeão de desigualdade e de concentração de renda em toda a América Latina".
A socióloga Laís Abramo, da Organização Internacional do Trabalho, disse que são muitas as propostas da OIT para se acabar com a feminização da pobreza. "Desde aumentar a formação e a capacitação profissional das mulheres, de promover a entrada das mulheres em ofícios não tradicionalmente femininos, eliminar vários mecanismos de discriminação que dificultam o acesso das mulheres às ocupações melhores no mercado de trabalho, resolver o problema do cuidado infantil". Laís Abramo afirma que a principal dificuldade para as mulheres mais pobres é contar com serviços de apoio doméstico para poderem ter uma inserção melhor no mercado de trabalho.
O presidente da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS), lembrou que este é um ano de eleições, o que trará a oportunidade de as mulheres conquistarem mais prefeituras e câmaras de vereadores.

Reportagem - Márcia Brandão
Edição - Ana Felícia


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