20/02/2018 19h41

Especialistas querem mais recursos para pesquisas sobre febre amarela

Brasil vive um surto da doença em áreas rurais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais

Especialistas defendem mais recursos para pesquisas sobre a febre amarela. O tema foi debatido (em 20/02) na Câmara, durante seminário preparatório para a primeira Conferência Nacional de Vigilância em Saúde. Representantes do Conselho Nacional de Saúde ressaltaram a necessidade de investimentos em ciência, tecnologia e pesquisas continuadas para superar desafios no combate à febre amarela. O Brasil vive um surto da doença, sobretudo em áreas rurais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao alertar sobre os riscos de febre amarela em áreas urbanas, o conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Heleno Correa Filho, disse que os atuais cortes no orçamento público prejudicam o controle de surtos epidêmicos.

"Se nós tivemos o último caso humano transmitido em cidade, em 1942, não é aceitável que cheguemos a 1.500 casos notificados e a 154 óbitos por uma doença que é dita silvestre. Essas pessoas podem ter contraído a doença na área silvestre, mas estão morrendo nas cidades e, a qualquer momento, uma delas será picada por um desses mosquitos - seja o aedes aegypti, seja o albopictus - e nós não temos como prever de que maneira poderá ocorrer se não vacinarmos e cobrirmos as populações nos focos que estão surgindo. Para a contenção dessa epidemia, há uma necessidade de que se tomasse uma série de medidas. Como essas medidas não foram tomadas do ponto de vista governamental, para o Cebes, o que está acontecendo é um crime de responsabilidade com a redução do orçamento federal da saúde."

Um dos organizadores do seminário, o secretário da Frente Parlamentar em Defesa do Sistema Único de Saúde, deputado Jorge Solla, do PT baiano, reforçou a defesa de investimento público em pesquisa.

"Fica evidente a importância de reforçarmos as estratégias de combate à febre amarela e de diversos nós críticos que precisam ser superados na produção de vacina, na vigilância, no controle da doença e no tratamento dos casos. Dentro do âmbito do orçamento, temos a necessidade de ampliar os investimentos em ciência e tecnologia, em produção de vacinas e medicamentos e o investimento na ampliação da rede como um todo".

Centro de referência no combate à febre amarela, a Fiocruz destacou várias ações em curso para conter o surto, como a produção de vacinas (64,1 milhões de doses, em 2017) e um serviço de orientação, via celular, para secretarias estaduais e municipais de saúde. Também é mantido o controle sobre a eficácia das doses padrão e fracionada, além do monitoramento de reações adversas. Por meio do SISS-GEO, um aplicativo eletrônico de informação em saúde silvestre, qualquer pessoa pode informar sobre a ocorrência de mortes de macacos, o que é fundamental para alertar sobre a circulação do vírus em determinada região. O representante do Ministério da Saúde, Osnei Okumoto, citou estudos que, por enquanto, afastam os riscos de surto de febre amarela em áreas urbanas.

"O ressurgimento da transmissão urbana - ou seja, por mosquitos que vivem nas cidades, como aedes aegypti - depende basicamente de três condições: ter muita gente contaminada em estado de viremia, vivendo em uma área onde haja uma população muito grande de mosquitos e com capacidade de transmitir o vírus da febre amarela".

O seminário também discutiu as políticas públicas de vigilância e prevenção da violência no trânsito. Por ano, ocorrem cerca de 50 mil mortes nas estradas e ruas brasileiras. A primeira Conferência Nacional de Vigilância em saúde será realizada, em Brasília, de 27 de fevereiro a 2 de março.

Reportagem- José Carlos Oliveira