20/02/2018 - 22h02

Combate à febre amarela depende de investimentos em pesquisa, dizem especialistas

O tema foi discutido em seminário preparatório para a primeira Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, realizado na Câmara

Especialistas defendem mais recursos para pesquisas sobre a febre amarela, durante seminário preparatório para a primeira Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, realizado nesta terça-feira (20/02) na Câmara.

Representantes do Conselho Nacional de Saúde ressaltaram a necessidade de investimentos em ciência, tecnologia e pesquisas continuadas para superar desafios no combate à febre amarela. O Brasil vive um surto da doença, sobretudo em áreas rurais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao alertar sobre os riscos de febre amarela em áreas urbanas, o conselheiro do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) Heleno Correa Filho disse que os atuais cortes no orçamento público prejudicam o controle de surtos epidêmicos.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Seminário Preparatório para a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde (1ª CNVS)
Seminário reuniu especialistas na Câmara

"Se nós tivemos o último caso humano transmitido em cidade, em 1942, não é aceitável que cheguemos a 1.500 casos notificados e a 154 óbitos por uma doença que é dita silvestre. Essas pessoas podem ter contraído a doença na área silvestre, mas estão morrendo nas cidades e, a qualquer momento, uma delas será picada por um desses mosquitos - seja o aedes aegypti, seja o albopictus - e nós não temos como prever de que maneira poderá ocorrer se não vacinarmos e cobrirmos as populações nos focos que estão surgindo”, alertou.

O representante do Cebes disse que para a contenção da epidemia de febre amarela seria necessária uma série de medidas que não foram tomadas. “O que está acontecendo é um crime de responsabilidade com a redução do orçamento federal da saúde", destacou.

Um dos organizadores do seminário, o deputado Jorge Solla (PT-BA) reforçou a defesa de investimento público em pesquisa. "Dentro do âmbito do orçamento, temos a necessidade de ampliar os investimentos em ciência e tecnologia, em produção de vacinas e medicamentos e o investimento na ampliação da rede como um todo", disse.

Centro de referência no combate à febre amarela, a Fiocruz destacou várias ações em curso para conter o surto, como a produção de vacinas (64,1 milhões de doses, em 2017) e um serviço de orientação, via celular, para secretarias estaduais e municipais de saúde. Também é mantido o controle sobre a eficácia das doses padrão e fracionada, além do monitoramento de reações adversas.

Por meio do SISS-GEO, um aplicativo eletrônico de informação em saúde silvestre, qualquer pessoa pode informar sobre a ocorrência de mortes de macacos, o que é fundamental para alertar sobre a circulação do vírus em determinada região. O representante do Ministério da Saúde, Osnei Okumoto, citou estudos que, por enquanto, afastam riscos de surto de febre amarela em áreas urbanas.

"O ressurgimento da transmissão urbana - ou seja, por mosquitos que vivem nas cidades, como aedes aegypti - depende basicamente de três condições: ter muita gente contaminada em estado de viremia, vivendo em uma área onde haja uma população muito grande de mosquitos e com capacidade de transmitir o vírus da febre amarela", explicou.

Conferência
A primeira Conferência Nacional de Vigilância em saúde será realizada, em Brasília, de 27 de fevereiro a 2 de março. A conferência vai construir a Política Nacional de Vigilância em Saúde, que norteará as ações do governo na área pelos próximos anos. Ao todo, foram elaboradas 170 propostas nos eventos que precederam a conferência - centenas de conferências municipais e macrorregionais em todo o País, além de 32 conferências livres, 26 conferências estaduais, uma distrital e uma plenária estadual promovida no Rio de Janeiro.
O seminário foi promovido pelas Frentes Parlamentares em Defesa do Sistema Único de Saúde, em Defesa dos Direitos Humanos e em Defesa do Trânsito Seguro, juntamente com o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Trânsito
O seminário também discutiu as políticas públicas de vigilância e prevenção da violência no trânsito. Por ano, ocorrem cerca de 50 mil mortes nas estradas e ruas brasileiras.

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Geórgia Moraes

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