07/03/2017 - 17h23

Brasileiros desaparecidos nas Bahamas podem ter sido vítimas de naufrágio

Segundo Itamaraty, rota no Caribe começou depois que brasileiros foram mortos por narcotraficantes na fronteira entre México e Estados Unidos. Só em 2016, 73 brasileiros foram detidos nas Bahamas tentando embarcar para os EUA

Gilmar Felix / Câmara dos Deputados
Audiência Pública
Comissão externa da Câmara investiga o desaparecimento dos brasileiros

De acordo com autoridades das Bahamas e dos Estados Unidos contactadas pelo governo brasileiro, a hipótese mais provável para o que aconteceu com os 12 brasileiros desaparecidos tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos em novembro passado é o naufrágio. Eles estavam em um pesqueiro que teria partido no dia 6 das Bahamas para a Flórida. A informação foi repassada nesta terça-feira pelo embaixador Henrique Sardinha Pinto, do Itamaraty, aos deputados da comissão externa da Câmara que investiga o assunto.

Sardinha disse que, desde o dia 8 de novembro, quando começaram as primeiras ligações de familiares dos brasileiros desaparecidos, o governo fez todos os esforços junto às autoridades das Bahamas, Estados Unidos, Cuba e República Dominicana para encontrar estas pessoas. De lá pra cá, alguns contatos com jornalistas que investigaram o caso e informações obtidas pela Polícia Federal levantaram a hipótese de os brasileiros estarem detidos em alguma ilha das Bahamas, vítimas dos próprios contrabandistas de migrantes que contrataram.

Mas o governo de Nassau tem afirmado desde dezembro que são comuns os casos de naufrágios na região que não deixam vestígios posteriores. Eles inclusive relataram o caso de um barco de haitianos que havia sido apreendido em dezembro e que deveria estar sendo acompanhado por mais dois barcos que nunca foram encontrados.

Narcotraficantes
A ministra Maria Luiza da Silva, também do Itamaraty, disse que a rota das Bahamas começou há cerca de 7 anos, após a execução de 70 pessoas - 4 brasileiros - em Tamaulipas, no México, em 2010, quando narcotraficantes encontraram o grupo que tentava entrar ilegalmente nos Estados Unidos por terra.

O relator da comissão externa da Câmara, deputado Aluisio Mendes (PTN-MA), disse que quer ouvir a Polícia Federal sobre a investigação que foi feita porque, na opinião dele, algumas informações poderiam ter sido trabalhadas mais cedo pelos agentes. “Se uma ligação foi feita para um parente, dizendo que estava embarcando naquele momento, esta ligação está registrada. Nós temos, através da estação rádio base, como localizar de onde essa ligação partiu, ou se ela realmente aconteceu. São coisas muito precisas para uma investigação policial onde se pode dizer de onde exatamente partiu esse barco, para onde ele foi.”, observou o deputado.

Maria Luiza, do Itamaraty, explicou que a nova rota para os Estados Unidos é feita por brasileiros que desembarcam nas Bahamas como turistas, pagando cerca de 20 mil dólares pela travessia. Segundo ela, são pessoas mais pobres, mas que já têm algum contato lá fora. “Nossa experiência mostra que brasileiros não vão no vazio, todos vão tendo contatos. De familiares ou de amigos que já estão lá, muitos deles já inclusive com status migratório regular. Nesses grupos, temos identificado aqui e ali pessoas que já moraram nos Estados Unidos irregularmente; e que já voltaram para o Brasil e estão novamente tentando emigrar".

O Itamaraty informou que, em 2016, 73 brasileiros foram detidos nas Bahamas na tentativa de embarcar para os Estados Unidos. As estatísticas apontam que geralmente isso significa 10% do total que conseguiu realizar a travessia. Entre janeiro e fevereiro deste ano, já foram 17 os detidos.

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

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Comentários

Eulalia Moreno | 08/03/2017 - 06h54
Incrível tanto blablabla para nada. Os funcionários do Itamaraty nem sequer apresentaram uma prova de buscas realizadas nas prisões das Bahamas e mentiram ao apontar supostos apoios a familiares que nunca aconteceram. Perda de tempo.