Lembranças de uma tarde de violência
Normando Fernandes, ferido na invasão da ultima terça-feira (6), vai ficar pelo menos dois meses afastado da Câmara
"Eles agiram premeditadamente. Vi, na mão deles, instrumentos de retirar paralelepípedo das ruas. Eles usavam aquilo como armas contra a segurança da Casa". Assim o agente do Departamento de Polícia Legislativa (Depol) Normando Fernandes, 35 anos, define os acontecimentos do dia 6 de junho último, quando um grupo de cerca de 500 manifestantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) promoveu depredações no interior da Câmara dos Deputados. Na foto, Normando, à direita, usa o carro como barricada no confronto com os manifestantes.
Normando foi ferido na cabeça durante a invasão. Foi atendido, inicialmente no Serviço Médico da Câmara, onde teve convulsões, e, posteriormente, encaminhado para a UTI do Hospital Santa Lúcia. Ainda em tratamento médico, Normando passa bem e já voltou para casa.
Normando Fernandes ingressou na Câmara em setembro de 1993, depois de passar em 60º lugar no concurso realizado um ano antes. É formado em dois cursos superiores: Direito, na UDF, e Geografia, na UPIS.
Na Câmara, participou de vários cursos de aperfeiçoamento, como Processo Administrativo Disciplinar e Sistema de Identificação de Visitantes. Desde março de 2005 ele ocupa o cargo de diretor da Coordenação de Apoio Logístico do Departamento de Polícia Legistiva.
Normando Fernandes nasceu em Brasília no dia 7 de outubro de 1970, filho de José Janduy Fernandes e Maria Dolores Fernandes. É casado com Érika Cristiane Pereira Fernandes e pai de Giovanna. No próximo mês nascerá o segundo filho do casal.
Desde que saiu do hospital, ele tem recebido mensagens de carinho e solidariedade dos colegas da Câmara. Além da presença constante dos médicos da Casa, Normando recebeu, quando estava hospitalizado, a visita do presidente da Câmara, Aldo Rebelo, e do diretor-geral, Sérgio Sampaio. Nesta terça-feira (13), recebeu em casa uma comitiva composta pelo diretor administrativo, José Carlos Pereira; pelo irmão do presidente da Câmara, Apolinário Rebelo, e pelo diretor do Departamento de Polícia Legislativa, Renato Câmara.
Normando terá que esperar mais 60 a 90 dias até voltar ao trabalho, período necessário para se recuperar do traumatismo craniano. Está tomando vários remédios, mas se sente bem. "O único incômodo que sinto é a sonolência", disse.
O servidor guarda vivas lembranças do dia daquela manifestação que, na sua opinião, tem que ser repudiada por toda a sociedade brasileira. "A invasão da Câmara dos Deputados pelos manifestantes sem terra foi um ato de vandalismo. Muitos grupos sociais apresentam suas reivindicações de forma ordeira. O que aconteceu naquele dia foi um absurdo", diz Normando.
Ele acrescenta que nunca viu, na Câmara, manifestação como aquela. Lembra que durante a votação da Reforma da Previdência, em 2003, um grupo de manifestantes também quebrou vidraças e tentou invadir dependências da Câmara, mas foi contido. "Desta vez, a violência foi maior", concluiu.