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Texto

DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO

 

NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES

 

TEXTO COM REDAÇÃO FINAL

 

PROGRAMA MEMÓRIA POLÍTICA - TV CÂMARA

EVENTO: Entrevista                   

N°: ESP009/00

DATA: 07/05/2000

INÍCIO:

TÉRMINO:

DURAÇÃO: 01h19min

TEMPO DE GRAVAÇÃO: 01h19min

PÁGINAS: 24

QUARTOS: 16

 

 

DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO

 

BARBOSA LIMA SOBRINHO – Advogado e Jornalista.

 

 

SUMÁRIO: Entrevista com o Jornalista Barbosa Lima Sobrinho.

 

 

OBSERVAÇÕES

 

Há falha na gravação.

Há palavras ininteligíveis.

Houve intervenção fora do microfone. Ininteligível.

Ao final da entrevista, houve intervenção de alguém não identificado que acompanhava o Jornalista Barbosa Lima Sobrinho.

 

 Conferência da fidelidade de conteúdo – NHIST 11/02/2010

 

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa Lima Sobrinho, Alexandre Barbosa Lima Sobrinho, qual a origem social da sua família? Quem eram seus pais, seus avós? O senhor provinha da estirpe dos barões do açúcar?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Meu pai era tabelião em Recife e tinha um nome diferente do meu. Ele se chamava Francisco Cintra Lima. E, de certa maneira, foi ele o autor do meu nome, porque ele tinha uma grande admiração por um parente dele, que era o ex-Governador Alexandre José Barbosa Lima, tanto que eu tenho o mesmo nome: Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Seu avó era um intelectual?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Meu avô era intelectual, mas não tinha... Meu pai, como tabelião, estava ligado com aqueles homens que tinham propriedades e vendiam as suas propriedades. De modo que essa é a ligação que eu tenho com os homens de Pernambuco, é que meu pai era tabelião de notas.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como o senhor se iniciou na imprensa, a experiência como redator-chefe do Jornal do Brasil ao tempo do Conde Pereira Carneiro?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu, na verdade, não contava com o jornalismo. Eu havia tirado distinção em todas as matérias do curso jurídico, de modo que, com isso, havia uma indicação nacional para que eu voltasse a ser professor da Faculdade de Direito, e eu alimentei exatamente esse sonho durante algum tempo. Mas, quando a cadeira que vagava e para a qual eu havia me preparado para fazer o concurso foi dada de graça a um livre docente, Sérgio Loreto Filho, eu escrevi 3 artigos censurando essa indicação. Mas, uma vez que ele foi nomeado e teve o apoio de 12 professores, eu achei que, com isso, estava vetada a minha possibilidade de ser professor da Faculdade de Recife.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como era o Brasil na República Velha? Como era a imprensa?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Bom, a imprensa, na ocasião... Basta dizer que eu não tive ambiente na imprensa de Pernambuco para continuar em Pernambuco, porque os escritores de jornais eram escritores de poucos artigos, que não tinham uma situação propriamente dentro da redação. Dentro da redação, só havia um lugar que era dado realmente a um jornalista de verdade, que, naquela ocasião, era o que se fazia no Jornal do Recife, que tinha um redator principal, que era um advogado de Recife, e no Diário de Pernambuco, em que o redator-chefe era também um escritor que tinha sido consagrado nas letras. Eu saí de Pernambuco, vim para o Rio de Janeiro. Saí de Pernambuco incompatibilizado com a Faculdade de Direito de Recife, porque havia combatido a indicação desse professor, que tinha sido indicado por 12 professores. Doze professores eram dois terços da congregação da Faculdade de Recife.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Quando o senhor chegou ao Rio de Janeiro, como era a imprensa do Rio de Janeiro?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Cheguei ao Rio de Janeiro para trabalhar no Jornal do Brasil, porque eu tinha feito redação com o Conde Pereira Carneiro, em Pernambuco, porque ele foi também defensor da candidatura do Barão de Suassuna. Aí estava ligação minha com o Jornal de Brasil: a candidatura do Barão de Suassuna, defendida pelo Conde Pereira Carneiro e que passou a ser defendida por mim também.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - E em que ano foi isso?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Isso foi em 1918, 1919. Eu vim para o Rio de Janeiro em 1920.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como foi a experiência do senhor no Jornal do Brasil?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - A minha experiência no Jornal do Brasil. Eu passei de redator a redator-chefe do Jornal do Brasil  e escrevia os artigos de fundo. Tenho uma coleção, aliás, desses artigos de fundo que escrevi de 1921 a 1927, mais ou menos. Agora, depois fui eleito Deputado Federal por Pernambuco, embora morando no Rio de Janeiro. E daí é que veio depois o projeto de lei que fazia depender os Deputados do eleitorado local. Eu deixei de ser Deputado Federal por Pernambuco, porque morava no Rio de Janeiro.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Mas o senhor se elegeu Deputado Federal, a primeira vez, antes de 1930?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Elegi-me. Antes de 1930 fui Deputado Federal. Não me lembro muito bem das condições, mas o fato é que fui eleito Deputado Federal por Pernambuco.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como era a República Velha? Como eram as relações políticas na República Velha?

            O SR.  BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu creio que todos têm uma idéia de que o Brasil naquele tempo era quase uma reprodução do Brasil de hoje. Não havia uma diferença tão profunda que pudesse chegar ao conhecimento de um redator.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Por que eram tão parecida as relações do Brasil antes de 1930 com as de hoje, Dr. Barbosa?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Acho que o Brasil era o mesmo porque, com a presença do Getúlio Vargas, que durante um certo período foi Presidente da República, o Presidente passou a ter uma influência maior em diversas relações. Eu, aliás, no começo, não gostava de Getúlio Vargas. Hoje, eu acho que Getúlio Vargas foi um dos maiores estadistas do Brasil.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Por quê?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Porque as obras que realizou visavam exatamente o futuro do Brasil, o desenvolvimento do Brasil. Enquanto os Governos que vieram depois cogitam apenas de obras ou coisas que possam vingar dentro de um período curto do seu Governo.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, qual a obra mais importante do Getúlio Vargas na sua visão?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu acho que as realizações dele foram de domínio prático. Ele criou vários coisas que ficaram por aí, diversas indústrias.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) – A Revolução de 30, sobre a qual o senhor tem um livro clássico chamado A Revolução de Outubro, como o senhor viu a Revolução de 30 na evolução política do Brasil?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu defendi isso no livro. Reporto-me às idéias que defendi nesse livro, porque todos os meus livros resultaram exatamente de uma convicção íntima de que eu estava defendendo uma verdade.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  A Revolução de 30, no seu entender, mudou o Brasil?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - De certa maneira mudou com a presença de Getúlio Vargas. Porque Getúlio Vargas permanecendo no Governo — o primeiro período foram 15 anos —,  mudou tremendamente o Brasil. O País passou a ser o Brasil de Getúlio Vargas. Getúlio Vargas tinha uma orientação que, no começo, eu combati. Eu não fui um dos favoráveis à Getúlio Vargas. Eu até me coloquei na Oposição. Mas depois, quando passei em revista sua obra e o resultado de sua permanência no Governo da República, fui obrigado a reconhecer que ele foi uma das grandes forças do desenvolvimento do Brasil.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Uma vez, o Marechal Cordeiro de Farias, que foi um dos Tenentes, disse que eles sabiam o que queriam combater, mas não sabiam o que queriam. Hoje, os estudiosos dizem que os 2 grandes pensadores dos Tenentes eram Alberto Torres e Oliveira Vianna. Como o senhor vê a influência positivista na cabeça dos Tenentes, na mente dos Tenentes?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu escrevi um livro, com cerca de 400 páginas, sobre Alberto Torres. Eu acho que Alberto Torres foi uma das grandes figuras do passado, porque ele tinha idéia, tinha convicção, e lutava por essas idéias e por essas convicções. Tanto que eu escrevi um livro.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - E quais eram essas convicções?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - O meu primeiro livro é sobre Alberto Torres. Na verdade...

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA  -  É um dos seus primeiros. Não é o seu primeiro livro.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO – não é o quê?

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA - Não é o seu primeiro livro.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO -  Não, foi um dos primeiros livros.

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA - Não. O senhor tem livro escrito desde 1920!

             A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) – E qual foi o primeiro?

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA - A Ilusão do Direito de Guerra.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO -  Eu tinha ...

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA - O primeiro livro do senhor foi A Ilusão do Direito de Guerra. É um livro de direito.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, quais eram essas idéias de Alberto Torres e de Oliveira Vianna, tão importantes para a formação histórica do Brasil?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Sobretudo de Alberto Torres, porque Oliveira Vianna foi apenas um comentador, ao passo que Alberto Torres tinha idéias próprias de realização, como ele deixou definido. Eu escrevi depois um livro sobre a obra de Alberto Torres. Eu tenho um livro, com cerca 500 páginas, relatando as obras de Alberto Torres. O senhor tem o livro aí, não é?

            (Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como foi a sua experiência, como Interventor do Instituto do Açúcar e do Álcool?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu dirigi...

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor inclusive fez um Estatuto da Indústria Açucareira.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Da Lavoura Canavieira.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Exato, da Lavoura Canavieira.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu nunca tive contato com os Tenentes. Sempre, no fundo da minha orientação, havia uma restrição à influência deles no Governo do Brasil. Nunca me vali dos Tenentes para meu posto político.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Eu estou falando, Dr. Barbosa, da sua experiência como presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool. O senhor foi nomeado Interventor no Instituto do Açúcar e do Álcool, em 1931, se não me falha a memória.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Mil e novecentos e quarenta e um.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Mil e novecentos e quarenta e um?

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Sim, 1941.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como foi sua experiência como presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool? O senhor elaborou o Estatuto da Lavoura Canavieira.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Canavieira. Nós tínhamos de organizar essa lavoura para um trabalho de resistência, porque ela estava condenada realmente a acabar, a acabar ou a mudar do Norte para o Sul, como veio de fato a mudar. Era um trabalho que deveria, de certa maneira, ser o prefácio dessa mudança da indústria do açúcar para o Sul do Brasil.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Depois o senhor saiu para a Procuradoria do Distrito Federal e acabou sustentando uma luta antiga contra a Light And Power, o chamado “polvo canadense”. Como foi essa luta, por que o senhor lutou contra a Light?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Naturalmente, a Light, através das influências políticas que havia conquistado, dominava o ambiente e conseguia com que todas as decisões fossem favoráveis a ela. E isso tudo me parecia exatamente que era a proteção do interesse estrangeiro. E em todas as minhas posições políticas têm de se notar a orientação profundamente nacionalista. Eu defendia interesses e posições do Brasil.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Eu queria perguntar uma coisinha. Dr. Barbosa, dentro da sua gestão, no Instituto do Açúcar e do Álcool. (Falha na gravação.) Isso é correto?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Nós demos um grande apoio à indústria do álcool e às aplicações da indústria do álcool no Brasil. Isso porque era um meio de salvar as usinas de Pernambuco e também era a valorização do álcool.

 A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Do álcool como combustível, não é?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Do álcool como combustível.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor chegou a constituir Comissão de cientistas para estudar a aplicação da cana na produção de álcool energético?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Diria que todos esses movimentos tinham meu apoio. A utilização do álcool em todos esses setores contou sempre com o apoio integral do Instituto do Açúcar e do Álcool, porque era sobretudo um instituto do álcool.

(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como foi o seu ingresso na política? O senhor era ligado a Agamenon Magalhães, o China Gordo, como o apelidavam na política pernambucana, que foi Ministro da Justiça de Getúlio Vargas e chefe político importante de Pernambuco. Fale um pouco sobre Agamenon Magalhães e suas ligações com ele.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - As relações foram boas, até que vim para a Câmara dos Deputados e, através do exercício da deputação, começaram a aparecer restrições que foram se avolumando depois e acabaram exatamente num rompimento total com Agamenon Magalhães.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como era Agamenon Magalhães?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Agamenon Magalhães era um realizador. Ele tinha a ideia de realizar e tinha ideias um pouco fantasistas sobre o desenvolvimento brasileiro. De modo que ele era profundamente patriota, mas dentro desse patriotismo da hora, que era um patriotismo muito limitado.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, como foi sua eleição para Governador de Pernambuco, o senhor que era um intelectual, lutando contra forças poderosas da oligarquia pernambucana?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Foi uma luta difícil que eu tinha com o meu opositor, que realmente era meu amigo pessoal, porque tínhamos estudado juntos na Faculdade de Direito de Recife. Mas  eu ganhei a eleição por quinhentos e tantos votos, que foram reconhecidos pela Justiça Eleitoral, e que depois, no desenvolvimento futuro, se verificou que, em vez de quinhentos e tantos votos, eu tinha obtido novecentos e tantos votos a favor.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O seu opositor era Manoel Campelo?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Era o quê?

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Manoel Campelo.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) – Neto Campelo.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Seu opositor era o Manoel Campelo Júnior, não era?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Meu opositor era meu amigo pessoal, Neto Campelo, que era filho de um professor de Direito e que, embora meu amigo pessoal, aceitou ser candidato contra a minha candidatura.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O Pelópidas da Silveira também foi candidato ao Governo de Pernambuco?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Pelópidas era meu amigo pessoal.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Ele também foi candidato ao Governo?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Ele foi meu amigo pessoal e me defendeu. Eu tive o apoio de Pelópidas da Silveira.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, o senhor foi apoiado por Agamenon Magalhães?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Na primeira vez fui apoiado por Agamenon Magalhães.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como candidato a Governador?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Depois como candidato a Senador.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Esse apoio do Agamenon Magalhães foi decisivo para sua eleição, para o senhor ganhar a eleição?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Depois eu me afastei de Agamenon Magalhães, nessas coisas naturais de política, em que há ligações e depois há rompimentos e rupturas. Depois me afastei de Agamenon Magalhães. Aliás, os nossos métodos de agir eram profundamente diferentes, porque Agamenon Magalhães acreditava mais na força bruta do Império, e eu acreditava mais nos meios intelectuais.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Dr. Barbosa, a  sua experiência no Executivo. O senhor teve experiência no Legislativo e no Executivo. Como é que foi essa experiência no Governo de Pernambuco?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu gostei muito da experiência no Executivo. Eu tinha percorrido todos os municípios de Pernambuco, já indicado como candidato, e fiz muito boas relações com a situação conquistada nos municípios. Tanto que no Governo do Estado muitos elementos do meu partido ficavam descontentes comigo porque eu apoiava as forças que tinham demonstrado que tinham conquistado a maioria nos municípios.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor preferiu essa experiência do Executivo ao Legislativo? Ela foi melhor do que a experiência no Legislativo?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Dar para se transferir para o domínio geral. De certa maneira, é algo confidencial, mas havia chefes daqueles municípios que me haviam combatido e que, depois, no encerramento da minha administração, diziam: "Como nós combatemos esse homem que nos apoiou e tal".

(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Os seus adversários dizem que o senhor, como Governador de Pernambuco, foi muito duro com os coronéis do interior, usou a Polícia Militar para combater o coronelismo. Mas os amigos dizem que o senhor pacificou a política do Estado. Com quem se fica, com os adversários ou com os amigos?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Não, eu acho que um trabalho de persuação junto dos amigos também pode ser eficaz.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como o senhor viu esse combate aos coronéis do interior? Como o senhor hoje vê?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu achei que, em certos pontos era injusto, porque havia um chefe municipal que era um coronel, e que, entretanto, tinha sido um ótimo administrador dos municípios em que ele influía. De modo que não senti influências dos militares no Governo do Estado.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, o senhor se elegeu Constituinte em 1946. O senhor assistiu a um fato importante da Constituinte de 46, que foi a cassação dos Parlamentares eleitos sob a legenda do Partido Comunista Brasileiro, o PCB. Como o senhor viu o trabalho da Constituinte, com que o senhor concordou, de que o senhor discordou, como o senhor viu a cassação dos comunistas?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Na Câmara dos Deputados, eu combati a cassação dos comunistas que tinham sido eleitos. Tanto que, daí por diante, o Partido Comunista passou a ser um partido que veio a me apoiar por causa dessa atitude de firmeza ao lado dos eleitos por eles no pleito em que eu havia comparecido.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - E o trabalho da Assembleia Constituinte? Como o senhor viu o trabalho da Constituinte? O Tancredo dizia que o Golpe de 64 foi provocado pelo esgotamento das instituições de 1946. O senhor concorda com isso? O senhor acha que a Constituição de 46 era uma Constituição irreal, não condizente com a realidade brasileira?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu acho que os militares se valiam disso apenas como um argumento para o golpe que eles tinham dado em Pernambuco. (Risos.) Nunca vi outra coisa que não a convicção pessoal de uma classe que tinha conquistado o domínio do Estado.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - A Carta de 46, como o senhor a vê hoje, distante daquela realidade? Como o senhor vê aquela Constituição de 46 hoje, dentro da evolução política do Brasil?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu acho que a Constituição de 46 foi uma Constituição que pode servir de modelo em qualquer momento.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Quanto à sua eleição para Governador de Pernambuco contra Neto Campelo, a luta na Justiça Eleitoral durou 1 ano para fazer valer seus direitos que haviam sido esbulhados pela fraude. Ainda hoje em dia, o Brasil luta contra uma legislação eleitoral que parece favorecer a influência do poder econômico. Como o senhor vê isso ainda hoje?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu fui defensor em Pernambuco e fui defensor aqui, porque uma palavra final sobre o pleito em Pernambuco foi dada aqui no Tribunal... tribunal político, que normalmente existia e julgava esses fatos todos.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Eu queria que o senhor voltasse ao seu tempo de Câmara, no Congresso. O senhor foi Relator do Orçamento do Ministério da Guerra?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Na Câmara dos Deputados, eu fui Relator, primeiro do Orçamento da Guerra, depois do Orçamento do Ministério da Justiça.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Quais as razões pelas quais o senhor assinou o Manifesto da Esquerda Democrática. Depois de 46, o senhor assinou o Manifesto da Esquerda Democrática, fundaram o partido socialista brasileiro, o senhor e os outros. Quais as razões?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Quem examina minha atuação política chega à convicção de que eu fui, desde o começo, um socialista.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Ainda hoje o senhor se considera um socialista?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Ainda hoje me considero um socialista, sem obedecer propriamente à União Soviética. Achava que o racionalismo nos levava a soluções próprias ao Brasil.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Quanto aos Governos que se seguiram à reconstitucionalização do Brasil, o senhor poderia fazer uma avaliação crítica a respeito do Governo do Marechal Eurico Dutra, do Governo de Getúlio Vargas, do seu suicídio, da posse de Café Filho, do golpe do General Lott?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu acho que nesse conjunto a única administração que teve características próprias foi a de Getúlio Vargas, que durou mais tempo, mas que cuidou realmente de problemas essenciais no Brasil, como eu vim depois a reconhecer. No primeiro momento combati muitas das realizações, mas no fim, passadas todas as questões do momento do domínio militar, eu cheguei a fazer justiça a Getúlio Vargas na sua administração, em face aos problemas fundamentais do Brasil.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - E o Juscelino Kubitschek?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu tinha algumas restrições. Talvez, de índole pessoal. Eu não gostava muito de Juscelino Kubitschek. Achava a atuação dele muito... Faltava sinceridade em muitas das decisões dele.

            Ele obedecia, rigorosamente, aos fatores políticos da sua ascensão pessoal.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor trabalhou com Juscelino Kubitschek na NOVACAP?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Não me lembro. Não sei se ele chegou a tomar alguma atitude na NOVACAP.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor foi do Conselho da NOVACAP, não foi?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hein?

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor integrava o Conselho da NOVACAP, da Nova Capital, aquela autarquia que fez a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília. O senhor não era integrante do Conselho?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu creio que era integrante. Mas nesse conjunto de minha vida, muita coisa fugiu à minha memória.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor acha que a mudança da Capital foi uma decisão acertada ou foi uma decisão errada?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - No começo, eu estava achando que era uma solução acertada. Eu tinha me batido, e tinha mesmo assinado, já no começo, eu tinha assinado alguma coisa favorável a uma nova Capital no interior do País.

            Hoje, eu começo a considerar quais os critérios que devem predominar na escolha de uma capital. Quando a gente considera, por exemplo, a expansão de São Paulo. Custa admitir porque a capital do Brasil não é em São Paulo?

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Mas, Dr. Barbosa, se o senhor permite, a mudança da Capital, não foi uma mera mudança da Capital. Pela primeira vez, o Brasil saía do litoral para o interior do Brasil.

            Hoje, no eixo da Belém-Brasília, que o senhor Jânio Quadros chamou de “estrada da onça”, existem 20 milhões de pessoas morando, residindo.

            O Brasil estava só no litoral. A mudança para Brasília criou núcleos populacionais em Goiás e transformou Goiás e o triângulo mineiro, segundo economistas conservadores, como Delfim Neto, José Serra e outros, na região mais dinâmica da economia brasileira, nos próximos 30 anos.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Naturalmente, essa mudança não teve uma repercussão maior. A prova está em que a situação continua a ser a mesma com o domínio das regiões litorâneas.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor, Dr. Barbosa, apoiou o Jânio e o Jango nas eleições de 60. Como é que o senhor viu essa renúncia do Jânio Quadros, desse candidato que o senhor apoiou?

            O SR. ENTREVISTADOR(Ivan Santos) - O senhor apoiou Jânio Quadros?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu tinha a boa impressão de que o Agamenon Magalhães era um homem sincero. Ele tinha a preocupação de administrar bem. E não tinha uma preocupação política de permanecer nos quadros que houvesse conquistado.

            Já o Jânio Quadros, tenho a impressão diferente. Eu acho que Jânio Quadros foi um homem que fez uma política capaz de o fazer permanecer por mais tempo no Governo de São Paulo.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, como é que o senhor viu o golpe que depôs João Goulart e o longo ciclo de dominação militar? Como é que o senhor analisa isso? Por que houve a intervenção dos militares na política brasileira?

            É inegável que houve uma divisão grave na sociedade e na elite. A intervenção ocorreu em função dessa divisão ou o senhor acha que ela decorreu só de fatores externos, por exemplo, a Guerra Fria?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - A minha impressão é que foi o desprestígio das administrações militares no Brasil, que lutando contra os antecedentes políticos do Brasil trouxeram, de fato, a mudança da orientação política do Brasil. Eu nunca fui favorável aos governos militares.

O  SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Não, eu pergunto como é que o senhor interpreta o golpe que depôs o Sr. João Goulart?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hum?

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O golpe de Estado que depôs o Sr. João Goulart, como é que o senhor interpreta?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Custa a verificar. O fato está tão distante que eu, no momento, não tenho a idéia precisa das forças que no momento se manifestaram.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor sofreu 3 IPMs, não é?

 O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hum?

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Respondeu.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor respondeu a 3 inquéritos.

O SR.  BARBOSA LIMA SOBRINHO - Três o quê?

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Inquéritos.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Inquérito Policial Militar.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - IPMs.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hum?

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor respondeu a 3 inquéritos policiais militares.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Militares?

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Não é verdade?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Creio que é. É o que eu disse no momento, não devo ter sido muito favorável a eles, porque eles nunca publicaram.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, Dr. Barbosa, dizem que o senhor teve um diálogo com um coronel muito interessante. Que o senhor perguntou ao coronel, como advogado, se o senhor estava ali como testemunha ou como indiciado. E quando o coronel respondeu que o senhor estava como testemunha, o senhor perguntou por que ele não chamava o Marechal Castelo Branco, porque o senhor tinha combatido João Goulart, e o Castelo Branco tinha ocupado um cargo de confiança do João Goulart, que era Chefe do Estado Maior do Exército e não era chamado por ele. Como é que ele explicou? Como é que foi isso?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - A resposta dele deve estar no inquérito. Eu creio que não pôde justificar essa mudança.

(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Dr. Barbosa, eu tenho uma curiosidade. Ainda no Congresso, parece que o senhor foi autor de uma proposta, aliás, participou de uma Comissão para examinar o setor de telecomunicações. Isso é verdade?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hum?

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - No Congresso, o senhor participou de uma Comissão para estudar o setor de telecomunicações e chegou a participar da elaboração do Código...

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - De 2 Comissões importantes. Primeiro fui membro de uma Comissão que julgava todos os casos políticos e depois passei a ser membro da Comissão de Justiça.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Da Comissão de Constituição e Justiça.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - É. Muitos desses fatos vocês vão reconhecer que eu tenho tomado tantas atitudes nos artigos de fundo que eu tenho escrito a respeito disso, que muita coisa me falha.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Então, vamos para uma coisa mais recente. Em 1973, o senhor foi vice na anticandidatura de Ulysses Guimarães. Que simbolismo isso representou para a discussão, para o avanço da Oposição no País?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Em que momento?

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Na anticandidatura...

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - É melhor o Tarcísio fazer as perguntas, porque ele ouve melhor a voz mais grave.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, ela está perguntando a respeito da anticandidatura. Todos dizem, hoje, que o surpreendente desempenho eleitoral do antigo MDB, de 1974, quando elegeu 16 Senadores biônicos decorreu da campanha por todo o País que o Ulysses Guimarães

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Duzentos candidatos.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - ...e o Dr. Barbosa Lima Sobrinho realizaram como anticandidatos. Conte aí alguma coisa a respeito da anticandidatura.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Acho que é uma coisa justificada, era uma atitude de reação. Nós tínhamos que então inventar um candidato que seria um anticandidato, como foi Ulysses Guimarães, que era um grande político, foi pena que tenha desaparecido ninguém sabe como. Mas eu acompanhei Ulysses Guimarães, com exceção de 2 ou 3 Estados, que, por motivos pessoais, não pude comparecer.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, o senhor é partidário do nacionalismo econômico. O nacionalismo econômico parece alguma coisa fora de moda diante do fenômeno da globalização. O senhor acha que o nacionalismo econômico sobrevive a esse modismo, que não é só modismo, é um imperativo da ordem econômica mundial depois da destruição, do desmantelamento da União Soviética?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Creio que a globalização não é contrária ao nacionalismo econômico. Eu defendo o nacionalismo do ponto de vista das soluções econômicas. Acho que é obrigação do Estado defender todas as teses que de certa maneira correspondem à melhoria do Estado na economia.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Agora, o que muitos estudiosos dizem é que os próprios Estados nacionais estão ameaçados por esse fenômeno, tanto que na última reunião da Organização do Tratato do Atlântico Norte — OTAN, o Presidente dos Estados Unidos se fazia acompanhar por Bill Gates, o homem da Microsoft, que é a maior empresa de informática do mundo, da chamada nova economia, e também o caso do Mercado Comum Europeu, que fez com que os Estados nacionais fossem absorvidos pelo interesse de um continente, até admitindo a possibilidade de renunciar suas moedas, como renunciaram agora, com a criação do euro.

            Então, essa idéia da soberania, que é ainda defendida por alguns Estados e por muitos Estados que não têm nenhuma importância, como o senhor vê o fenômeno da ameaça ao Estado nacional?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - A minha tese é que a preferência do Estado deve resultar do exame completo dos interesses econômicos do Estado. Se esses interesses aconselham a ter uma opinião favorável, o Estado deve tomar uma atitude favorável. Mas se não aconselham essa atitude favorável, o Estado tem que tomar uma atitude também...

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como é que o senhor vê hoje a política econômica do Sr. Fernando Henrique Cardoso, o atrelamento do Governo à política dos Estados Unidos?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Vejo como uma capitulação, porque de fato a subordinação dele aos interesses econômicos dos Estados Unidos é completa e total. E eu sou contra essa subordinação, porque acho que todas as atitudes políticas do Brasil deviam estar subordinadas à defesa dos interesses do Brasil, não dos Estados Unidos.

            (Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Com esse Movimento dos Sem Terra, com a atitude repressora do Estado naquela cerimônia comemorativa dos 500 anos do descobrimento do Brasil, muitos observadores exprimiram a opinião de que o País está ameaçado de sofrer um novo retrocesso antidemocrático. A Secretária de Estado norte-americana, a Sra. Madeleine Albright, declarou, recentemente, que a corrupção, que realmente assusta no Brasil, o senhor tem visto, a corrupção no aparelho do Estado, nas instituições do Estado, a contaminação da corrupção em todos os estágios do Estado brasileiro, municipal, estadual e federal, e também a ineficácia dos Governos em combater o fosso social que se verifica na América Latina eram os maiores responsáveis pela ameaça à democracia nesse continente. O senhor acha que essa ameaça existe? Que há possibilidade de retrocessos institucionais, de volta à ditadura ou ao autoritarismo, como disse a Sra. Madeleine Albright, embora ela esteja defendendo também os interesses dos Estados Unidos na região? Porque ela está falando que o Brasil deve exercer um papel mais policial contra países que estão ameaçando partir para políticas protecionistas, como a Venezuela, a Colômbia, o Peru.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu acho que, em todos esses casos, a gente, o Brasil deveria tomar uma atitude de defesa dos seus interesses, fosse contra quem fosse. Não levaria em conta o prestígio, nem a presença dos Estados Unidos. Mas toda vez que os interesses dos Estados Unidos se afastassem dos interesses... do Brasil, eu defenderia intransigentemente a independência do Brasil.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como é que o senhor vê o Movimento Sem Terra?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - O Movimento Sem Terra, de certa maneira, é difícil de definir. Será atitude lírica? Porque, afinal de contas, o que é que eles têm conseguido? Sou favorável a uma reforma agrária no Brasil, sempre fui favorável a uma reforma agrária. Mas não levaria a reforma agrária ao conceito propriamente da campanha dos sem-terra.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - E o impeachment do Collor, como é que o senhor viu o impeachment do Collor?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Hum?

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como é que o senhor analisou, como é que o senhor avaliou o movimento, o senhor que foi signatário do documento pelo impeachment do Sr. Fernando Collor da Presidência da República? Como é que o senhor hoje, mais distante desse episódio, como é que o senhor o avalia?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Evidentemente, o Collor não tinha condições de ser Presidente da República. Ele cedia a fatores que podiam ser fatores nocivos e podiam ser fatores desfavoráveis à independência do Brasil. Era, afinal de contas, uma atitude contra o Presidente da República que eles tinham escolhido.

            O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Só para a gente fechar: que futuro o senhor vê para a democracia no Brasil? Como é que o senhor avalia o futuro da democracia brasileira? O senhor é otimista? Como é que o senhor vê o futuro dessa democracia que o senhor acompanhou, tantas idas e vindas, esse tempo todo?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Sou obrigado a me incluir numa opção. Porque o futuro do Brasil depende de quê? Da opinião pública no Brasil. E eu faço votos para que a opinião pública no Brasil seja sempre defensora da intervenção da massa popular, do eleitorado, nas decisões que devem prevalecer.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, o senhor acompanhou praticamente 2 séculos, o século passado e este século. O senhor lutou muito contra as vicissitudes, contra os obstáculos ao interesse do Brasil. O senhor acha que está destinado ao Brasil um papel de grande potência no concerto das grandes potências ou o Brasil vai ser um bananão, quer dizer, uma república grande, mas cheia de problemas de país subdesenvolvido?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Só posso esperar que o Brasil seja uma grande potência, defendendo soluções próprias. Eu não diria que essas soluções próprias teriam o apoio do Governo atual.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Qual seria o seu candidato à sucessão de Fernando Henrique?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Veja que o Governo atual se subordina ao Estados Unidos. Como se inclinar à proteção de um Estado que tem interesses próprios, que não são os interesses do Brasil?

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - No quadro político atual, Dr. Barbosa, quem o senhor veria como possível sucessor de Fernando Henrique?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Não tenho acompanhado bem as atitudes da oposição em Brasília, porque há um certo silêncio nos jornais de todo o Brasil em relação às atitudes que se definem ou se limitam a Brasília. Faço votos para que as deputações futuras cada vez sejam mais inclinadas a defender os interesses do Brasil, e não acompanhar uma atitude dúbia, que deixa dúvida de que o Brasil vote a favor ou contra soluções entreguistas.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor escreveu um livro que hoje é considerado um clássico, que é Japão, o capital se faz em casa. Alguns críticos do seu livro dizem que o povo brasileiro não tem a educação do povo japonês, que é um povo poupador. Tão poupador, que agora, nesses últimos 7 anos, em que o Japão tem ingressado numa fase de grande, profunda recessão econômica, o Governo japonês têm oferecido subsídios para que o povo japonês consuma, a fim de que o setor produtivo do país tenha mercado, e isso não tem sido possível, porque o povo japonês se recusa a consumir. Mas, no Brasil, é o contrário. O brasileiro é considerado o maior consumista em Miami, em Paris. Em todos os grandes mercados do mundo, é um turista dissipador, até exageradamente dissipador. Então, o senhor não acha que fica difícil, numa cultura tão dissipadora, fazer com que ela poupe? É difícil?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Que é difícil, é! porque as próprias colônias desses países lutariam para que o Brasil abrisse margem através de (inaudível). Mas acho que as soluções puramente brasileiras são as que em todos os casos colocariam sempre em primeiro lugar a população brasileira e em segundo lugar a população dos outros países, a população do mundo.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor poderia falar um pouco de sua juventude. Eu soube que o senhor foi remador, não é?

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor foi atleta na juventude, o senhor foi remador. O senhor poderia falar um pouco a respeito de seu tempo de remador? O senhor estava sempre na proa do barco?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu estava na posição mais difícil, que era exatamente o primeiro remador. Os outros remadores vinham em seguida.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor era o mais magro, não é?.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - E tinha o patrão. Nas ioles antigas, nas ioles inglesas, o patrão era indispensável. E o patrão deveria ser brasileiro, profundamente brasileiro, para nunca permitir que esse barco tivesse por qualquer momento a ideia de favorecer a países que não tinham nada com a formação do Brasil.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Quem eram seus companheiros de remo? Múcio Leão...

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Múcio Leão, Edgar Bezerra e o filho de Pedro Celso, que era um professor de muitas escolas, era um remador. Eu começava naquele tempo, e não era só começar, eu pesava muito pouco, pesava 56 quilos. (Risos.)

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) AH! O casamento com a D. Maria José. Como o senhor conheceu a D. Maria José? O senhor é pernambucano, a D. Maria José é paulista. Como foi isso?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Foi numa dessas invenções que nos encontramos em São Paulo. Eu não declarei, nem fiz propriamente a corte a ela, porque eu era arrimo de família. Meu pai morreu e deixou a minha família com minha mãe, 4 irmãs e 2 irmãos desempregados. De modo que eu tinha que colocar em primeiro lugar a situação da minha família. E só quando consegui emprego para todos eles foi que pude tomar atitudes próprias e correspondentes ao meu ideal de absoluto patriotismo.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Mas como o senhor conheceu a D. Maria José? Foi em Cambuquira?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Foi em Cambuquira, numa estação de águas. Eu tinha ficado impressionado com ela e com a mãe dela. A mãe dela era uma senhora extraordinária. De modo que não tive nenhum momento, porque não podia ter nenhuma atitude no momento. E só 1 ou 2 anos depois, quando essa situação pessoal mudou, foi que eu pude de fato fazer minha declaração de amor e conquistá-la, para a formação do nosso casal.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Ela, a D. Maria José, é tia do ex-Ministro Bresser Pereira. O senhor é amigo do ex-Ministro Bresser Pereira?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Sou amigo pessoal dele. Não tenho nada a ver com as atitudes políticas, nem quando ele foi Ministro, nem agora, quando creio que, não sendo mais Ministro, ele readquiriru as soluções de um crítico da situação brasileira. Ele diz que acaba de escrever um livro definindo as ideias dele, que são ideias que eu, de maneira geral, aceito e até consigo aplaudir.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Há quantos anos o senhor mora nesta casa?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Há quantos anos estamos casados?

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Quanto tempo o senhor tem de casamento. É.

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Nós nos casamos em 30. De modo que... (Risos.)

            O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) – 70 anos.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) – 70 anos!

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Há quantos anos o senhor mora nesta Casa?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Eu construí esta Casa depois de casado. Comprei o terreno, que não tinha nenhuma construção. Eu tinha ganho subsídios de Deputado, e foi com os subsídios de Deputado que eu usei no levantamento do capital. Naquele tempo, além do subsídio de Deputado, eu tinha meu ordenado do Jornal do Brasil. E foi somente quando tive folga da arrecadação que consegui comprar este terreno, que não tinha nenhuma construção, nem uma árvore, não tinha nada.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - O senhor plantou essas árvores todas?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Tudo isso foi plantado por mim!

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) Isso foi em 1931 que o senhor começou a construir a casa?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Em 31, eu concluí a casa.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Como o senhor vê a imprensa brasileira hoje em dia? Como o senhor via a imprensa brasileira no seu tempo, quando o senhor era mais atuante, militante? E hoje em dia, como o senhor vê a imprensa brasileira, os veículos de comunicação modernos, como o rádio e a televisão, que resultam dessa evolução tecnológica?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Ela se desenvolveu de acordo com as exigências dos leitores. De modo que é isso que explica o desenvolvimento da imprensa brasileira.

            O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - O senhor acha que a imprensa hoje em dia é uma instituição fundamental para a democracia?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Em qualquer caso, em qualquer democracia, a liberdade de imprensa é uma instituição fundamental.

                (Intervenção fora do microfone. Inaudível.)

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor não quer falar a respeito de uma coisa importante, dos atentados que houve na ABI, do atentado que houve na OAB durante o processo de distensão ou de abertura? O senhor quer falar alguma coisa sobre esses processos terroristas?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Só poderia condenar todos esses atentados, mantendo a minha atitude. Eu acho que, para a imprensa, uma das condições fundamentais é a sua liberdade.

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Como se chama esse cachorro que o senhor tem? Como é o nome do seu cachorro, esse branco?

            O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Ele tem o nome de um cachorro antigo que tínhamos, um cachorro obediente e tranquilo. Como era o nome dele?

            UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA – Chip.

            (Risos)

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Chip de computador?

UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA - Na ocasião... O cachorro antigo... Foi por causa de um filme que eles foram ver chamado Goodbye, Mister Chips.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) Ah! Sim. Goodbye, Mister Chips.

(Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)

A SRA. ENTREVISTADORA ((Ana Maria Lopes de Almeida) - Dr. Barbosa, são quantos filhos, quantos netos, qual o tamanho da família?

            (Intervenção fora do microfone. Ininteligível.)

            A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - É? Então, está ótimo.

            (UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) - Lá na ABI tem um resumo da história dele.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Veja se arranja um currículo.

            (UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) - Lá tem.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) – Lá tem, não é? Na ABI.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  Você tem fotografia?

            (UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) - Lá na ABI também tem.

                O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) – Na ABI?

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Quem a gente procura lá?

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  O André Mota Lima?

            (UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) - O André Mota Lima pode te ajudar nisso.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  Está bom. André Mota Lima, sei quem é. Filho dos comunistas, o André, não é?

            (UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) - Está sempre lá.

            O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Dr. Barbosa, muito obrigado. Desculpe-me ter dado tanto trabalho ao senhor.

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO – Falta uma informação para explicar a atitude de um anticandidato como nós fomos, com Ulysses Guimarães.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Vamos deixá-lo em paz, para ele descansar.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Queria pedir autorização a vocês para a gente filmar, fazer as fotografias.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Pode filmar, não pode?

(UMA PESSOA NÃO IDENTIFICADA) – Claro, à vontade.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - E o livro?

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Isso, os livros.

(Pausa prolongada.)

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Tive um tio com o meu nome, Alexandre José Barbosa Lima, que foi Governador de Pernambuco.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor tem o nome dele?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Tenho o nome dele. Ele era militar, chegou a general da tropa dele.

O SR. ENTREVISTADOR (Ivan Santos) - Era irmão da sua mãe?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Era irmão de minha mãe. Era um dos maiores Parlamentares do Brasil. Se a gente fizesse um livro a respeito dele... Escrevi, aliás, um resumozinho. Não sei quantos discursos ele pronunciou na Câmara dos Deputados, com uma autoridade extraordinária.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - O senhor pretende continuar  escrevendo seu artigo semanal no Jornal do Brasil?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - Continuar escrevendo enquanto (ininteligível). Tenho um filho que me auxilia hoje na redação.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - É o Carlos Eduardo?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - É o Carlos Eduardo, que é um intelectual.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  Sim, sem dúvida. Sem dúvida.

A SRA. ENTREVISTADORA (Ana Maria Lopes de Almeida) - Ele falou uma coisa muito bonita sobre a mãe dele.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) -  O senhor queria falar sobre sua mãe, Dr. Barbosa? O senhor guarda lembrança muito boa da sua mãe?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - A impressão que tenho de minha mãe é a de uma senhora inteligente, culta, de uma bondade extraordinária. É uma lembrança que tenho certeza de que vai me acompanhar até o último dia de minha vida.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Qual é o motivo que alimenta a sua vontade de escrever, de participar, o senhor que já deu ao País, ao seu Estado, à sua gente o suficiente, de acordo com o julgamento dos seus contemporâneos e, certamente, da posteridade? Por que o senhor quer continuar escrevendo? O que alimenta essa vontade, essa energia de escrever, de lutar, de intervir no debate nacional, de sustentar as teses que o senhor acha as mais corretas?

O SR. BARBOSA LIMA SOBRINHO - É o desejo de contribuir para o Brasil melhorar. Não tenho outra intenção senão essa, porque o pagamento que a gente recebe é precário, mas de qualquer maneira explica isso a maneira da gente se conservar vivo perante os brasileiros.

O SR. ENTREVISTADOR (Tarcísio Holanda) - Muito bom! Parabéns!