Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas

26/03/2025 14h50
Câmara apresenta exposição histórica "Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas", de 3 a 29 de abril no Espaço do Servidor, Câmara dos Deputados.

Para marcar os 65 anos da inauguração da capital federal, o Centro Cultural Câmara dos Deputados exibe uma mostra de textos, mapas, vídeo e fotos que propõem o reconhecimento da diversidade de povos e lutas que moldaram e continuam a moldar a cidade. O trabalho é fruto das ações de pesquisa e extensão desenvolvidas pelo projeto Outras Brasílias na Universidade de Brasília (UnB), com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

De acordo com a professora Cristiane de Assis Portela, coordenadora da pesquisa e curadora da exposição, as narrativas oficiais sobre a história do Distrito Federal contam que a transferência da capital para o interior do país era uma ideia antiga, viabilizada por condições políticas favoráveis e amplos estudos para a escolha da sua localização. Essa versão pode dar a entender que, em meados do século XX, o Planalto Central era um território completamente vazio. No entanto, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos já habitavam o local muito antes da construção de Brasília e se faz necessário legitimar sua presença e história. 

A pesquisadora explica ainda que a edificação da cidade, no final da década de 1950, foi marcada por desigualdades sociais e contradições. Na década de 1960, por exemplo, enquanto a elite política do Plano Piloto pedia o retorno da capital para o Rio de Janeiro, a população de Taguatinga, Núcleo Bandeirante e Ceilândia lutava por moradia, pão e trabalho. Para ilustrar esses pontos, a exposição traça um percurso histórico composto por contranarrativas (trazidas por mulheres, trabalhadores em luta, territórios diversos e sujeitos coletivos) que destacam alguns episódios de memórias sensíveis, como: o Massacre da Guarda Especial de Brasília (GEB) na Vila Planalto, em 1959; a luta pela bomba d’água por mulheres de Taguatinga, em 1960; a luta dos Incansáveis da Ceilândia por direito à moradia, em 1978; o violento incêndio ocorrido na Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante) no mês seguinte à inauguração de Brasília; e a manifestação de trabalhadores apelidada de “Badernaço”, em 1986. 

“A história da nova capital é muito mais do que a narrativa de Juscelino Kubitschek e seus heróis. É uma história de trabalhadores em rebelião, mulheres negras, periferias, indígenas, professores, estudantes e outras coletividades que lutam por reconhecimento e justiça” — declara Cristiane. Ela acredita que, ao estimular o reconhecimento de histórias plurais que estimulem os sentidos de pertencimento às localidades que compõem a capital do país, a história pode fornecer elementos úteis à educação para a democracia.

 

Exposição "Outras Brasílias: memórias sensíveis e contranarrativas"

Visitação: de 3 a 29 de abril de 2025, segunda a sexta, das 9h às 17h

Local: Espaço do Servidor — Câmara dos Deputados, Anexo II

Entrada franca

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