Sessão Solene reforça o papel do Legislativo na luta contra a discriminação racial no país

10/02/2017 09h05

Sex, 25 de Março de 2011

“Eu tenho um sonho que um dia possamos viver em uma nação onde as pessoas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”. Foi com esse espírito de igualdade ilustrado nas célebres palavras de Martin Luther King que se desenvolveu, nesta sexta-feira (25), a sessão solene em comemoração do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

O Plenário Ulysses Guimarães, geralmente tomado pelo tons escuros e sóbrios das vestimentas dos parlamentares, deu espaço ao branco das roupas das “baianas”. Propondo uma união de esforços para a promoção da igualdade étnica no país, parlamentares e representantes de movimentos negros exaltaram a importância do Legislativo para o processo de erradicação das discriminações raciais.

A homenagem foi proposta pela deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP) e pelo deputado Vicentinho (PT-SP), que presidiu a sessão solene. O deputado lamentou a escolha da data para realização da sessão, uma sexta-feira, dia em que grande parte dos parlamentares retornam aos seus estados de origem, mas fez um saldo positivo da sessão. “A data pode não ter sido a melhor, mas a presença da população, o conteúdo debatido e reafirmação da luta contra o preconceito foram muito importantes”, ponderou.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) também exaltou a importância do Legislativo na luta contra a erradicação da discriminação racial no país. “Caminhemos todos na construção de um país mais justo com a história de lutas de seu povo. E que nunca mais deixemos que os tambores se calem”, disse.

O deputado Alberto Filho (PMDB-MA) saudou a iniciativa da Câmara dos Deputados em debater o tema, mas defendeu a impropriedade de se falar em diversidade de raças humanas. Segundo o deputado, a ciência já comprovou que são mínimas as diferenças entre as diversas variedades da espécie humana. “As diferenças raciais têm a profundidade da cor da pele”, argumentou.

Comemorado no dia 21 de março em todo mundo, a data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao massacre de Shaperville, em 1960, quando o exército sulafricano matou 69 negros em uma operação de repressão a um protesto contra o apartheid na cidade de Joanesburgo. O dia 21 de março marca, ainda, outras conquistas da população negra no mundo: a independência da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos países africanos.