Eduardo Cunha participa de lançamento de campanha por mais mulheres na política

Evento realizado na Fiesp tem objetivo de destinar às mulheres 30% das vagas dos legislativos a partir das próximas eleições
26/03/2015 18h46

Rodolfo Stuckert

Eduardo Cunha participa de lançamento de campanha por mais mulheres na política

Cunha não se comprometeu com os temas, mas elogiou força da bancada feminina no Congresso

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, participou, nesta quinta-feira (26), do lançamento da campanha nacional “Mais Mulheres na Política”, realizado na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A meta da campanha, segundo a senadora Marta Suplicy (PT-SP) – uma das organizadoras do evento ­– é garantir a inclusão na reforma política de regra que estabeleça que, a partir das próximas eleições, 30% das vagas dos legislativos sejam destinadas às mulheres.

Em seu discurso, Eduardo Cunha reafirmou seu compromisso de votar a reforma política em maio, em uma semana que será dedicada ao tema, para que as mudanças possam valer já para as eleições de 2016. Ele ressaltou a importância da ampliação da representatividade da mulher nos legislativos e acredita que as propostas da bancada feminina serão discutidas com responsabilidade. “Como árbitro, não posso me comprometer com a aprovação de temas, mas tenho certeza de que, com a força da atual bancada feminina no Congresso, avanços importantes serão introduzidos na legislação para as mulheres”.

Também participaram do evento os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Fiesp, Paulo Skaf;  a procuradora especial da Mulher do Senado, Vanessa Graziottin (PCdoB-AM); a procuradora da Mulher da Câmara dos Deputados, Elcione Barbalho (PMDB-PA); a atriz e escritora Maitê Proença; além de deputadas e senadoras de vários partidos.

O evento na Fiesp faz parte do calendário de atividades do mês de março em homenagem às mulheres e é promovido pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado, pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados e pela Fiesp.

As parlamentares apresentaram dados comparativos entre os sistemas eleitorais de países da América Latina e do mundo para mostrar que, no Brasil, a presença da mulher no Poder Legislativo não reflete a importância política e socioeconômica da população feminina. A bancada feminina hoje no Congresso Nacional e de 13 senadoras e 51 deputadas.

Desde o início da atual legislatura, senadoras e deputadas de vários partidos têm se reunido para discutir mecanismos que assegurem a ampliação da participação das mulheres na política. Dois dos resultados dessas discussões foram as propostas de emenda à Constituição 23/15 e 24/15, das senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Marta Suplicy (PT-SP), respectivamente.

A PEC 23/15 estabelece paridade de gênero nos assentos da Câmara dos Deputados, assembleias legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e câmaras municipais. Já a PEC 24/15 inclui na Constituição a obrigatoriedade de se destinar, quando da renovação de dois terços do Senado, uma vaga para cada gênero.

Essas duas PECs se somam a matérias da Câmara dos Deputados e ao manifesto “Por uma reforma que garanta mais mulheres no Parlamento”, no qual as congressistas afirmam que nenhum sistema político será legítimo e estará completo se não garantir a adequada representação para as mulheres.

Mudanças na destinação do Fundo Partidário também interessam às senadoras e deputadas. Elas reivindicam que os partidos estabeleçam ao menos 30% dos recursos para o financiamento de suas campanhas, quando hoje esse valor corresponde a apenas 5%.