12/07/2008 00h00

Lilia Katri Moritz Schwarcz (antropóloga)

A historiadora Lilia Moritz Schwarcz está no Sempre um Papo com o livro “O Sol do Brasil – Nicolas-Antoine Taunay e as Desventuras dos Artistas Franceses na Corte de D. João” (Companhia das Letras). A convidada é autora de “As Barbas do Imperador”, mais de 40 mil exemplares vendidos e Prêmio Jabuti de ‘Livro do Ano’ em 1999. No novo livro, Lilia se debruça sobre a vida e a obra do pintor francês Nicolas-Antoine Taunay, um verdadeiro ensaio a respeito do imaginário francês sobre os trópicos.

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A historiadora Lilia Moritz Schwarcz está no Sempre um Papo com o livro “O Sol do Brasil – Nicolas-Antoine Taunay e as Desventuras dos Artistas Franceses na Corte de D. João” (Companhia das Letras). A convidada é autora de “As Barbas do Imperador”, mais de 40 mil exemplares vendidos e Prêmio Jabuti de ‘Livro do Ano’ em 1999. No novo livro, Lilia se debruça sobre a vida e a obra do pintor francês Nicolas-Antoine Taunay, um verdadeiro ensaio a respeito do imaginário francês sobre os trópicos.

Nicolas-Antoine Taunay foi um artista acadêmico, do círculo íntimo de Napoleão e Josefina, que desembarcou no Brasil em 1816, acompanhado de outros pintores como Jean-Baptiste Debret e Grandjean de Montigny. Considerado o membro mais importante do grupo, trazia na bagagem a intenção de se transformar em pintor do rei. Nunca existiu, porém, uma “missão francesa” nos moldes como a historiografia a caracterizou: D. João jamais contratou artistas para a sua corte, muito menos artífices do antigo inimigo francês, que forçara a vinda do monarca ao Brasil. Ao contrário, foram os artistas que se autoconvidaram, com o propósito de criar aqui uma Academia, igual a que existia no México.
Como homem da Ilustração, ele não encontrou lugar para os escravos em suas pinturas: se a natureza era imensa, já os escravos surgiam cada vez mais diminutos, quase borrões no meio da tela. Os trópicos pareciam difíceis de representar, e Taunay sempre reclamou da luz brilhante demais da América, dos verdes “excessivos” das florestas e do céu do Rio de Janeiro, que considerava absolutamente “exagerado”. Por outro lado, a tão sonhada Academia não saía do papel, e, quando finalmente foi fundada, o pintor acabou preterido na estrutura da instituição. O livro é fartamente ilustrado – são 103 imagens em preto-e-branco e mais dois cadernos coloridos com 45 telas que Taunay realizou na Europa e no Brasil

Lilia Schwarcz nasceu em São Paulo em 1957. É professora titular no Departamento de Antropologia da USP e autora de, dentre outros, “Retrato em branco e negro” (1987), “O espetáculo das raças” (1993) e “A longa viagem da biblioteca dos reis” (com Paulo Azevedo, 2002), todos esses publicados pela Companhia das Letras.