21/05/2010 00h00

História de um coronel morto por não apoiar o Golpe de 64

A reportagem especial do Panorama conta a história de um tenente-coronel da aeronáutica morto por colegas em 1964 por não apoiar o golpe militar. No primeiro bloco, você também acompanha as votações que movimentaram a Câmara durante a semana. Uma das emendas da MP que trata de questões indígenas, por exemplo, gerou tumulto entre manifestantes índios e a segurança da Câmara. A emenda do Senado acabou rejeitada. O Plenário do Senado aprovou nessa quarta (19/05) o Projeto Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de condenados pela Justiça por crimes graves. Todos os 76 senadores que participaram da sessão votaram a favor da proposta de iniciativa popular. E como não houve alterações no texto aprovado pela Câmara, o projeto segue agora para a sanção presidencial. Em entrevista à TV Câmara, o presidente em exercício da Câmara, deputado Marco Maia, elogiou a aprovação do Projeto Ficha Limpa na política.

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Em 4 de abril de 1964, o então tenente-coronel da Aeronáutica Alfeu de Alcântara Monteiro, comandante da Base Aérea de Canoas, Rio Grande do Sul, foi morto a tiros por outros militares, dentro de seu próprio gabinete, por recusar-se a apoiar o golpe militar que derrubara o então presidente da República João Goulart em 31 de março. Há uma versão, adotada pelo livro "Tortura Nunca Mais", de que ele foi morto com 16 tiros de metralhadora, pelas costas. A versão defendida por ex-militares que apoiaram a ditadura é de que ele foi morto com um único tiro, após ter ferido com dois tiros o major-brigadeiro que fora à base assumir seu comando, em nome dos golpistas.
Agora, um ex-colega de colégio e amigo do militar assassinado, o fotógrafo aposentado Hindemburgo Almeida Flores, 85 anos, lidera praticamente sozinho uma campanha para que o coronel Alfeu seja reconhecido como Herói da Pátria. Ele passou dias na Câmara dos Deputados, onde instalou cartazes com a história do primeiro assassinato político cometido pelos militares de 64, pedindo que a Câmara e o presidente Lula revejam o processo do ex-oficial morto por defender o Estado de Direito em 64.
A Comissão de Direitos Humanos se interessou pela história de Hindemburgo Almeida Flores e agora quer incluir o caso do coronel Alfeu em um trabalho mais amplo, de resgatar a história dos militares que resistiram ao golpe de 64, como o militar Sergio "Macaco", da FAB, que se recusou a jogar presos políticos no mar e também foi punido (faleceu alguns anos atrás).
Há mais de 30 anos, todo mês de abril Hindemburgo manda espalhar na cidade gaúcha de Itaqui, fronteira com a Argentina, onde nasceu Alfeu, faixas, cartazes e distribui material com informação sobre o que ocorreu com o ex-comandante da 5.ª Zona Aérea em 64.
O suposto autor dos disparos, coronel Roberto Hipólito da Costa, chegou a ser julgado na época, mas foi absolvido. Militares da direita contam outra versão para a morte de Alfeu, dizendo que ele atirou primeiro e foi morto por apenas um tiro e, não, por 16 balas de metralhadora pelas costas.
A reportagem do Panorama mostra a campanha do aposentado Hindemburgo Flores para que o coronel Alfeu Alcântara seja reconhecido como herói da pátria, no contexto da idéia da Comissão de Direitos Humanos de resgatar a história da minoria de militares que resistiu ao golpe de 64.

No primeiro bloco, você também acompanha as votações que movimentaram a Câmara durante a semana. Uma das emendas da MP que trata de questões indígenas, por exemplo, gerou tumulto entre manifestantes índios e a segurança da Câmara. A emenda do Senado acabou rejeitada.
O Plenário do Senado aprovou nessa quarta (19/05) o Projeto Ficha Limpa, que proíbe a candidatura de condenados pela Justiça por crimes graves. Todos os 76 senadores que participaram da sessão votaram a favor da proposta de iniciativa popular. E como não houve alterações no texto aprovado pela Câmara, o projeto segue agora para a sanção presidencial.
Em entrevista à TV Câmara, o presidente em exercício da Câmara, deputado Marco Maia, elogiou a aprovação do Projeto Ficha Limpa na política.