29/11/2012 20h39

Debatedora pede mais rigor da Justiça para combater ataques a terreiros

Discutir formas de acabar com a discriminação contra as casas tradicionais de matriz africana foi tema de seminário realizado nesta quinta-feira na Câmara. A presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Terreiro, deputada Erika Kokay, do PT do Distrito Federal, destacou que eventos como esse são importantes para dar visibilidade aos terreiros e à realidade daqueles que seguem religiões africanas. Erika Kokay destacou que a frente vai realizar reuniões com os agentes de direito para que eles possam conhecer a realidade dos terreiros e proteger seus frequentadores.

"É preciso que nós trabalhemos no processo de desconstrução de uma intolerância que invade os poderes públicos e que invade o próprio Estado e que faz com que as comunidades de terreiro não possam viver com a dignidade que o país deve a essas comunidades."

Em julho deste ano, nove casas de matriz africana foram depredadas em Pernambuco. Segundo Mãe Lúcia de Oxum, yalorixá do Centro de Cultura Afrobrasileiro Ilê Axé Omidewá, em João Pessoa, Paraíba, os ataques são constantes e acontecem em todo o país. Ela classificou como assédio religioso os ataques sofridos diariamente pelos terreiros. Lúcia de Oxum pede mais rigor da Justiça para punir os envolvidos.

"O máximo que eles entendem é como crime de injúria e o crime de injúria não dá em nada."

A secretária de políticas para comunidades tradicionais (da Secretaria de Promoção de Políticas para Igualdade Racial da Presidência da República), Silvanir Silva, afirmou que o enfrentamento do racismo passa necessariamente pela valorização das tradições africanas e das casas que representam a cultura africana no Brasil.

"Nós também estamos muito preocupados em como promover um processo de valorização dessa cultura, dessa tradição de maneira a desfazer estereótipos, que são eles que motivam tamanha violência."

Silvanir informou que no próximo ano o governo vai fazer um levantamento socioeconômico para mapear quantas são e onde estão as casas de tradição de matriz africana em todo o país. A partir daí, o Plano Nacional de Desnvolvimento Sustentável dos Povos Tradicionais de Matrizes Africanas começa a ser implementado.

De Brasília, Karla Alessandra.