26/06/2019 21h11

CCJ aprova convite para que Moro explique troca de mensagens com procuradores da Lava Jato

Segundo o presidente da comissão, deputado Felipe Francischini (PSL-PR), o ministro da Justiça e Segurança Pública se colocou à disposição para vir à Câmara na próxima terça-feira (2)

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou requerimento que convida o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para audiência pública sobre o material publicado pelo portal The Intercept Brasil. Desde o dia 9, o site vem divulgando mensagens que teriam sido trocadas por Moro, então juiz federal, com integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.

O ministro deveria ter participado na última terça-feira (25) de debate conjunto em duas comissões da Câmara dos Deputados, mas cancelou o compromisso devido a uma viagem aos Estados Unidos.

O presidente da CCJ, deputado Felipe Francischini, do PSL do Paraná, recebeu correspondência informando que Moro se colocou à disposição para debate na terça-feira, dia 2, às 14 horas, em conjunto com as comissões de Trabalho; de Direitos Humanos; e de Fiscalização Financeira.

"Está aqui em minhas mãos um documento do Ministério da Justiça, da assessoria do ministro Moro, no qual eles falam o seguinte: Excelentíssimo senhor presidente, com os meus cordiais cumprimentos, de ordem informo a Vossa Excelência que o senhor ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro confirma sua participação em audiência pública nesta egrégia Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados em sessão conjunta, conforme sugerido, na data de 2 de julho de 2019, terça-feira que vem."

Fundador do The Intercept Brasil, o jornalista Glenn Greenwald disse na Câmara que, em sua opinião, houve conluio entre o ex-juiz e os procuradores que atuam na Lava Jato. Segundo Greenwald, as mensagens indicam que houve parcialidade nas decisões proferidas por Moro - e um dos mais prejudicados teria sido o ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba.

Moro e os procuradores afirmaram em entrevistas que não tiveram acesso ao material em poder do site jornalístico, negaram qualquer irregularidade nas conversas e também lançaram dúvidas sobre o conteúdo das mensagens, que poderia ter sido manipulado. O ministro disse ainda que foi vítima de um ataque hacker - assim, para ele, o conteúdo explorado pelo portal tem origem ilícita.

Reportagem - Ralph Machado