16/05/2019 17h16

Política agrícola será focada em seguro rural, diz governo

Técnicos do Executivo e de bancos públicos participaram de audiência pública na Câmara nesta quinta (16)

Técnicos do Governo Federal e de bancos públicos disseram (nesta quinta-feira, 16), na Câmara dos Deputados, que a atual gestão trabalha com uma política agrícola futura focada em seguro rural. A ideia com o seguro, mais do que com o crédito agrícola, é evitar o abandono da atividade por produtores atingidos por eventos climáticos ou queda de preço no momento da colheita, com o consequente endividamento.

Trata-se de uma evolução, segundo os técnicos. Parlamentares, no entanto, demonstraram preocupação com o endividamento já existente.

O assunto foi discutido em audiência na Comissão de Agricultura, com a presença de produtores de diferentes partes do País, que trouxeram seus casos de endividamento.

Na visão de Eduardo Marques, do Ministério da Agricultura, se o Brasil já contasse com um seguro agrícola robusto, boa parte desses casos não existiria, pois, os produtores teriam sido cobertos.

"A gente tem que ter produtos de seguro que atendam a todos os produtores. Muitas vezes o produtor não quer só um seguro de risco climático. Ele quer também um seguro de preço. Então, a gente combina um seguro de faturamento, da receita esperada."

Eduardo Marques reforçou que a ideia, no futuro próximo, é o governo focar no pequeno produtor o aporte de recursos públicos, deixando os demais casos para investimentos privados.

Na audiência, os representantes do governo pediram a aprovação do projeto de crédito suplementar no valor de R$ 248,9 bilhões (PLN 4/19) que está em análise no Congresso Nacional, com o argumento de que parte dos recursos vão para o Plano Safra, que garante crédito acessível ao agricultor para investir e custear a produção.

O deputado Jerônimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul, que sugeriu o debate, concordou em trabalhar pela aprovação da proposta, mas disse esperar que parte dos recursos seja direcionada para acabar com o endividamento.

Para Goergen, não adianta falar em seguro quando existe um passivo que está sendo gerado pela falta de competitividade.

"O setor não tem renda. E muitos setores endividados por questões de mercado, por questões climáticas. Ficou bem claro: o governo não tem uma alternativa para esse problema, que é crescente."

Por sua vez, o deputado Neri Geller, do PP de Mato Grosso, defendeu investimentos em programas de irrigação, armazenagem e preparo de solo, necessários para viabilizar a produção. Já o deputado Vilson da Fetaemg, do PSB de Minas Gerais, pediu uma linha voltada para a comercialização, a fim de que o produtor brasileiro conquiste mercado.

Reportagem - Noéli Nobre