16/04/2019 20h55

Divulgação de vídeo que celebra Ditadura Militar não foi proposital, diz ministro

Ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, participou de audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (16)

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto Santos Cruz, afirmou que não foi proposital a divulgação de um vídeo pelas mídias sociais do Planalto, no dia 31 de março deste ano, comemorando a Ditadura Militar instalada no Brasil em 1964. O ministro fez as declarações, nesta terça-feira (16), durante audiência da Comissão de Trabalho e Administração Pública da Câmara dos Deputados.

Segundo o ministro Santos Cruz, que tem sob sua responsabilidade a Secom, Secretaria de Comunicação, o vídeo sobre "os acontecimentos de 1964" foi divulgado por um funcionário antigo do Palácio do Planalto:

"É um funcionário com 26 anos de serviço, trabalhou no governo Itamar [Franco], no governo do Lula, da Dilma. Não tem nenhuma conotação ideológica, não foi uma coisa proposital, tranquilamente um erro operacional de serviço, sem nenhuma ideia de divulgação por motivação ideológica. Então, é um erro de serviço. Estão sendo tomadas as medidas, ontem eu tive a oportunidade de ouvir a todos [os servidores da Secom], e isso aí tem que fazer correção de rumo pra que não se tenha novamente esse tipo de incidente operacional, que acontece por uma série de razões."

O vídeo teve grande repercussão em todas as mídias quando foi divulgado, pois, dias antes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, havia ordenado que os militares comemorassem a data de 31 de março.

O que o ministro chamou de "acontecimentos de 64" foi classificado pelos deputados governistas como uma contrarrevolução para evitar o comunismo no Brasil. O deputado Daniel Silveira, do PSL do Rio de Janeiro, considerou uma perda de tempo o convite para o ministro vir à Câmara:

"O termo Ditadura Militar é um termo complexo, porque não tivemos isso. É um fato inexistente no Brasil. O que houve foi um regime democrático militar. Uma intervenção militar solicitada por essa Casa. (...) Então, na verdade a minha questão maior é: se os militares salvam a nação, por vários motivos, fatores históricos inarredáveis, porque convocar o general, que já precedeu na história do país, dentro de tantos outros homens que salvaram a todos nós de um regime comunista, qual seria o problema nisso?"

Autora do requerimento para o debate, a deputada Érika Kokay, do PT do Distrito Federal, considerou fundamental a presença do ministro e ressaltou fatos ocorridos durante o regime militar, como o fechamento do Congresso por duas vezes e dezenas de opositores cassados, torturados e exilados:

"Porque a liberdade não era permitida. Nós não tínhamos a liberdade de nos organizarmos em partidos políticos, nós não tínhamos a liberdade de termos sindicatos atuando, nós não tínhamos a liberdade de falar o que quiséssemos falar, e nem tínhamos a liberdade necessária para o desenvolvimento da cultura, da ciência e da arte. Porque cultura, ciência e arte têm que receber um alimento que é insubstituível: é o alimento da democracia e da liberdade."

Na audiência pública que discutiu a divulgação de um vídeo pelas redes sociais do governo, comemorando a Ditadura Militar de 1964 a 1985, dezoito deputados falaram em favor do governo e apenas dois deputados se apresentaram para fazer críticas.

Reportagem - Newton Araújo