01/02/2019 09h30

Especialistas analisam nova composição da Câmara

Dos 513 eleitos em outubro do ano passado, 243 vão estrear na Câmara, cumprindo o primeiro mandato de deputado federal. O índice de renovação em relação à legislatura passada é de 47,3%, segundo a Secretaria Geral da Mesa

Renovação é a marca da composição da Câmara dos Deputados que toma posse em primeiro de fevereiro. Dos 513 eleitos em outubro do ano passado, 243 vão estrear na Câmara, cumprindo o primeiro mandato de deputado federal. O índice de renovação em relação à legislatura passada é de 47,3%, segundo a Secretaria Geral da Mesa da Câmara. Esse percentual é superado apenas pela Assembleia Nacional Constituinte, que registrou renovação de 48%, em 1986. O analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar Antônio de Queiroz cita outras características dessa mudança.

"Pelo menos 140 nunca exerceram nenhuma função pública na vida nem no Executivo nem no Legislativo. Então, não se sabe exatamente o que pensam em relação a uma série de temas e vão ter que aprender a atuar no âmbito do poder Legislativo. Foi uma eleição de rejeição ao sistema político e a suas práticas, que puniu indistintamente os políticos mais tradicionais, independentemente de serem bons ou ruins na sua atuação".

Apenas 251 deputados foram reeleitos. Outros 19 já foram deputados em legislaturas passadas e agora retornam à Câmara. O PT foi o partido que mais reelegeu deputados (40). Já o PSL (47) e o PRB (18) lideram a lista das legendas que receberam maior número de novos parlamentares. O cientista político Alexandre Barros prevê uma certa independência inicial por parte desses deputados, sobretudo os mais jovens.

"Eu acho que o pessoal da juventude vai tender a olhar e dizer assim: 'vamos ver se eu devo votar para isso'. Se acharem que devem, eles vão votar nisso e ponto final. Então, parto do princípio de que eles são bem intencionados".

Já Antônio de Queiroz, do Diap, vê pontos positivos na alternância de poder, mas afirma que os resultados da atuação da nova Câmara ainda são imprevisíveis.

"Uma coisa é a mudança do ponto de vista da quantidade - houve uma mudança muito significativa -, mas não temos certeza ainda em relação à qualidade dessa mudança. A origem desses novos (deputados) é basicamente lideranças evangélicas, parentes de políticos tradicionais, policiais linha dura, celebridades, etc. Não sabemos ainda como eles vão se comportar. Mas o fato é que estamos em uma República e a República pressupõe alternância no poder e a oxigenação no Parlamento é sempre muito boa. Então, a população vai experimentar e vai poder fiscalizar a atuação desses parlamentares. Se eles não corresponderem às expectativas, há a possibilidade de trocá-los na próxima eleição".

Apesar de uma certa imprevisibilidade no resultado da atuação parlamentar, Queiroz avalia que o conjunto dos 513 deputados projeta uma Câmara liberal do ponto de vista econômico, conservadora nos valores, fiscalista da gestão pública e temerária em temas relacionados a direitos humanos e meio ambiente.

Reportagem - José Carlos Oliveira