01/01/2019 19h00

Em discurso de posse, Bolsonaro propõe pacto entre os Poderes e união para fazer reformas profundas

A ideia repercutiu entre os deputados presentes à cerimônia, nesta terça-feira (1), marcada pela ausência de partidos de oposição, como PT e Psol

O presidente Jair Bolsonaro propôs um pacto entre os Poderes em seu discurso de posse, e união para fazer reformas profundas. A ideia repercutiu entre os deputados presentes à cerimônia, nesta terça (1), marcada pela ausência de partidos de oposição, como PT e Psol.

Para o deputado Major Olímpio, eleito senador pelo PSL de São Paulo, o movimento que levou Bolsonaro ao poder lhe dá legitimidade para propor mudanças, mas há muito trabalho até lá:

"Uma esperança de transformação, e isso só aumenta a responsabilidade do Jair Bolsonaro presidente, e de cada um de nós que o apoiou nessa luta. Hoje começa verdadeiramente o trabalho maior. Alguns minutos de confraternização, de comemoração, de choro e de alegria, mas já já as mangas arregaçadas que o trabalho é muito grande."

Major Olímpio ressaltou a reforma da Previdência como prioridade imediata, e primeira medida a ser debatida. Bolsonaro falou em austeridade e reforma do Estado, e disse que conta com a ajuda do Congresso para aprovar mudanças. O deputado Onyx Lorenzoni, do Democratas gaúcho, que assumiu a coordenação política do governo Bolsonaro como ministro da Casa Civil, disse que a relação deve mudar:

"Esses 249 novos parlamentares e esses 49 novos senadores, eles vêm motivados pela voz das ruas que quer um país diferente, que quer uma relação diferente entre Congresso e o Poder Executivo. Não tenho nenhuma dúvida de que o diálogo, e o presidente tem reforçado isso, ele é um homem de diálogo, nós vamos ter sucesso nesse processo, e todo mundo quer o bem do Brasil."

Para o deputado Pompeu de Matos, do PDT do Rio Grande do Sul, a oposição também precisa repensar seu papel, e votar a partir dos projetos:

"Nós somos oposição ao governo Bolsonaro, o PDT é oposição, não a oposição do quanto pior melhor, do tipo 'se hay gobierno soy contra', aquela oposição obtusa, que torce para que tudo dê errado, não. Nós seremos uma oposição madura, séria, responsável, vamos analisar projeto por projeto. Se o projeto é bom, terá o nosso apoio; se o projeto é ruim, vamos tentar contribuir, colaborar, fazer emenda. Se não tiver jeito, damos as razões e votamos contra. Nós estamos ali no papel de fiscais da população, inclusive para ajudar o próprio governo, fiscalizando o governo."

No entanto, Pompeu de Matos adiantou que, se a reforma da previdência de Bolsonaro for enviada nos mesmos moldes propostos por Michel Temer, terá oposição ferrenha dele e de seu partido.

Reportagem - Marcello Larcher