05/12/2018 18h04

Escola sem Partido gera prejuízos a longo prazo para sociedade, afirma educador

Conferência em Defesa da Educação Pública reuniu, nesta quarta-feira (5), na Câmara, deputados e representantes das organizações de professores

A Liderança do Psol realizou uma Conferência em Defesa da Educação Pública nesta quarta (5), junto com representantes das organizações de professores. O objetivo do evento era debater estratégias de fortalecimento da educação pública.

Na abertura, o deputado Glauber Braga, do Psol do Rio de Janeiro, explicou que precisaria se multiplicar para estar presente, ao mesmo tempo, no seminário, no plenário e na comissão especial onde seria discutido o projeto Escola sem Partido. Segundo o deputado, a apreciação dessas pautas ao mesmo tempo é uma estratégia de esvaziamento do debate sobre a educação:

"Você tem que correr de um lado pro outro porque de um lado eles estão com uma proposta que avança o estado policial querendo criminalizar os movimentos sociais dizendo que eles são terroristas, por outro lado tem a Escola sem Partido querendo criar tribunais pedagógicos, mas ao mesmo tempo pode surgir em qualquer comissão ou Plenário da Câmara um projeto privatizante... então essa é a nossa tarefa aqui".

Para o deputado Glauber Braga, o projeto Escola sem Partido intimida os professores e cria "tribunais pedagógicos":

"É a mordaça. É o vínculo entre professor e estudante não se transformando numa relação de confiança, mas fundada numa relação acusatória onde o professor fica com medo do que vai dizer numa sala de aula por medo dos tribunais pedagógicos. É o fim da reflexão crítica."

O professor Fernando Penna, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense e líder do Movimento Escola Democrática, acredita que a Escola sem Partido gera prejuízos a longo prazo para a sociedade.

"A escola sem partido não lida com os problemas reais da escola, além de estar criando outros. (...) Ninguém defende que o professor possa fazer propaganda partidária em sala de aula, todos nós defendemos que a atuação do professor tem limites éticos, então não é essa a questão, a questão é que o projeto tenta destruir a dimensão educacional da escola (...). Quando um professor deixa de falar sobre temas importantes da sua disciplina por medo de perseguição, quem é prejudicado é o aluno."

O professor Antonio Gonçalves, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), sugeriu que a sociedade civil promova uma auditoria da dívida pública para que se possa aperfeiçoar o financiamento da educação.

Ao final do evento as entidades organizadoras lançaram a Frente Nacional Escola sem Mordaça, uma resposta ao PL 7180/2014, conhecido como Escola sem Partido. A proposta da frente é continuar o debate sobre a qualidade da educação pública nas próximas semanas.

Reportagem - Cynthia Sims