30/10/2018 13h03

Presidente eleito Jair Bolsonaro deve indicar nos próximos dias quem irá participar da equipe de transição

Bolsonaro pode indicar até 50 nomes para compor o grupo, que será chefiado pelo deputado Onyx Lorenzoni. Na Câmara, apoiadores e críticos do presidente eleito comentam a expectativa em relação ao trabalho de transição e ao início do próximo governo, em janeiro

De agora e até a posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, uma equipe de transição do presidente eleito irá trabalhar no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília para entender o funcionamento do Executivo e preparar as primeiras medidas. Neste local, eles irão se encontrar com integrantes do atual governo para tirar dúvidas e receber dados.

O deputado do PSL Major Olímpio, eleito agora senador por São Paulo, explica que a transição será chefiada pelo deputado Onyx Lorenzoni (RS) e servirá para adequar propostas de Bolsonaro à realidade da administração federal. Uma das primeiras medidas, segundo Major Olímpio, é o corte de pelo menos 50% dos cargos em comissão:

"A diminuição do número de ministérios para algo por volta de 15. Eu digo por volta porque a partir de hoje é que Jair Bolsonaro e toda a sua estrutura começam a fazer os debates em relação a essas possibilidades. Havia, por exemplo, um ânimo manifesto de se fazer a fusão dos ministérios de Meio Ambiente e Agricultura. Já houve manifestação do próprio presidente eleito de eventualmente não se fazer essa fusão diante da complexidade e da multiplicidade de atividades diversas."

Para o deputado Bohn Gass, vice-líder da oposição pelo PT do Rio Grande do Sul, pouca coisa vai mudar nas políticas:

"Transição programática? Nós não vamos ter muita transição programática. Porque ambos, tanto o Temer como o Bolsonaro, defendem a reforma trabalhista, não querem mexer na reforma trabalhista. Votaram juntos. Agora o assunto principal é o que vota ainda da reforma da Previdência, onde também estavam juntos. Então transição tem que definir bem. Vai trocar pessoas no governo; mas a política, em boa parte, ela vai ficar a mesma."

A equipe de transição também deverá discutir os nomes para os principais cargos. Sobre a ideia do novo presidente de nomear mais técnicos que políticos, Major Olímpio disse que esse não é um critério de proibição, mas de prioridade:

"Isso vai acabar. Eventualmente pode ter alguém que componha um partido político, seja um deputado federal, seja um deputado estadual, que possa ter qualidades excepcionais que, pelo mérito - não é pelo cargo que tem ou o partido que está - poderá compor uma estrutura de governo. Não é impeditivo, é simplesmente uma mudança de critério."

O deputado Bohn Gass, porém, afirma que não existe separação entre técnica e política:

"Eu sou técnico, eu sou apolítico. Não existe isso. Cada técnica está acompanhada de uma política. Eu não vou mais me relacionar com o Mercosul. Isso já é uma fala política. O Paulo Guedes, quando ele fala que nós vamos priorizar a relação bilateral com os Estados Unidos e que o Mercosul não é prioridade, esta é uma fala política. Não é uma fala técnica."

Tanto Major Olímpio quanto Bohn Gass acreditam que uma das principais discussões do governo de transição será sobre o Orçamento de 2019 que tramita no Congresso e deve ser votado até o dia 22 de dezembro.

Segundo a Agência Brasil, o presidente eleito tem direito a 50 cargos com salários de até R$ 16 mil. Pela lei, os integrantes da equipe deverão manter sigilo das informações confidenciais a que tiverem acesso.

Reportagem - Silvia Mugnatto