16/10/2018 14h48

Inteligência artificial pode gerar desemprego, alerta especialista

Audiência na Câmara discutiu políticas de inovação tecnológica

A robótica e a inteligência artificial podem gerar desemprego e aumentar a desigualdade social. A avaliação foi feita pelo professor de ciência da computação Virgílio Almeida, da Universidade Federal de Minas Gerais, em audiência pública sobre o tema na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados (16/10).

A inteligência artificial refere-se a qualquer técnica computacional que busque repetir o comportamento humano. Por exemplo, o uso de programas de conversação para atendimento de usuários de telefonia no lugar de atendentes. Ou o uso de tecnologias para detectar fraudes em transações financeiras.

Para Virgílio Almeida, o Brasil deveria ter dados sobre quantos empregos deverão ser perdidos pelo processo de inteligência artificial e quais áreas serão mais afetadas, além de prever políticas para minimizar os efeitos do processo.

"Por exemplo, o Banco Mundial publicou esta semana um estudo sobre o impacto no trabalho. Não tinha dados do Brasil. Então, o País precisa se preparar para essa situação, que mais dia, menos dia vai chegar."

Entre os benefícios trazidos pela inteligência artificial, Virgílio Almeida citou a inovação no setor produtivo e mais produtividade nos negócios.

Já o professor de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Carlos Affonso de Souza disse que a inteligência artificial tem impactos jurídicos, legais e éticos, e afirmou que o País precisa de estratégia nacional para lidar com o processo. Ele defendeu, por exemplo, a criação de uma autoridade nacional de proteção de dados pessoais.

O Congresso Nacional aprovou uma Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (13.709/18) este ano, mas o presidente Michel Temer vetou a criação de uma autoridade nacional para fiscalizar a aplicação das regras, conforme explica o deputado Goulart, do PSD de São Paulo, que pediu a audiência.

"Infelizmente, o presidente vetou essa autoridade que poderia fazer essa regulação, mas nós temos ainda possibilidade de derrubar o veto, nós temos muita coisa a fazer. Mas a inovação não espera."

Jorge Campagnolo, diretor do Departamento de Políticas e Programas de Apoio à Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, afirmou que até 2025 a chamada internet das coisas poderia somar de 4 a 11 trilhões de dólares à economia global, sendo de 50 a 200 bilhões de dólares no Brasil. O termo internet das coisas descreve um cenário em que os objetos do dia a dia estarão conectados à internet, comunicando-se mutuamente.

Segundo Campagnolo, o ministério construiu, junto com o BNDES, um "Plano de Ação para Internet das Coisas" no Brasil, que se encontra atualmente na Casa Civil, para análise, antes de ser lançado.

Reportagem - Lara Haje