03/07/2018 21h28

Representantes dos autistas pedem que censo seja realizado junto com Censo Brasileiro em 2020

Segundo o presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil, Fernando Cotta, as políticas públicas para o setor já existem, mas ainda não saíram do papel porque é preciso realizar um levantamento da comunidade autista e de suas necessidades

Representantes dos autistas pediram em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara que o censo autista seja realizado em conjunto com o Censo Brasileiro que será realizado em 2020.

O presidente do Moab, Movimento Orgulho Autista Brasil, Fernando Cotta, lembrou que as políticas públicas para o setor já existem, mas que elas ainda não saíram do papel porque é preciso realizar um levantamento da comunidade autista e de suas necessidades.

"Para a gente saber quantas pessoas com autismo têm nesse país. A gente até hoje se baseia em estatísticas norte-americanas, em estatísticas europeias e no Brasil infelizmente não há nenhum número oficial para que a gente saiba quantas pessoas estão em suas casas, não estão nas escolas, porque se formos buscar os números das secretarias de saúde ou das secretarias de educação vamos ver que estão muito aquém da realidade. Então onde estão essas pessoas?"

O professor Lucelmo Lacerda criticou a forma como a inclusão vem sendo realizada para pessoas com autismo nas escolas, sem levar em conta as limitações de cada um, que no espectro autista são muito diferentes podendo ser leves, moderadas ou severas.

Segundo ele, um diagnóstico precoce realizado de maneira correta daria os instrumentos necessários para que a criança autista possa ser educada de maneira adequada. Lucelmo Lacerda destacou que o ideal seria que a intervenção fosse realizada na escola e em casa totalizando 40 horas semanais.

"E aí a longo prazo isso é uma economia porque grande parte dessas pessoas em pouco tempo - principalmente quando você pega bem novinho - deixa de necessitar de apoio, quer dizer, passa a ter uma vida completamente autônoma."

Bernardo Medina tem 18 anos e foi diagnosticado com autismo com um ano e 11 meses. Hoje ele cursa o terceiro ano do ensino médio e defende que as políticas públicas sejam aplicadas de acordo com a necessidade de cada nível de autismo.

"As necessidades dos autistas de grau leve não são as mesmas que as dos autistas de grau severo, assim como os tratamentos não devem ser os mesmos. E o grau de dependência do autista também precisa ser avaliado. Enquanto os autistas leves são mais independentes e as políticas públicas em questão podem ser destinadas diretamente a eles; os autistas severos, dependem basicamente da presença física de seus responsáveis e de seu apoio financeiro e emocional, o que significa que essas políticas públicas precisam ser direcionadas para esses pais ou cuidadores."

O deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba, autor do requerimento para a realização da audiência pública, destacou que é importante discutir o tema a cada ano para que os avanços das pesquisas possam ser incorporados ao atendimento a essa parte da população.

"Nós estamos discutindo com especialistas e com pessoas comprometidas com as causas dos autistas no sentido de que nós possamos estabelecer essas políticas e o governo cuidar especialmente dos autistas."

Com base em estudos realizados em outros países, estima-se que sejam dois milhões de autistas em todo o País. O transtorno de desenvolvimento prejudica a capacidade de se comunicar e interagir e é quatro vezes mais comum em meninos.

Reportagem - Karla Alessandra