16/02/2017 13h20

Relator do "Escola sem Partido" diz que proposta não tem motivação religiosa

Comissão especial que analisa o projeto realizou nova audiência com críticos e defensores do tema

Relator do Projeto de Lei (7180/14) da Escola sem Partido afirma que motivação da proposta não é religiosa. O deputado Flavinho, do PSB paulista, esclareceu que o tema da comissão especial que discute a proposta é estabelecer direitos para os estudantes:

"Desde a primeira audiência pública que nós tivemos, sempre se levanta a questão religiosa, só que não é disso que esta comissão trata. Essa comissão trata de seis projetos de lei que visam proteger o direito dos educandos. Seria bastante interessante e produtivo para nossa comissão se nós não nos ativéssemos tanto à questão religiosa e nos preocupássemos mais com a situação das nossas crianças e adolescentes nas nossas escolas."

Na reunião desta quarta-feira, a comissão ouviu a estudante de história Ana Caroline Campagnolo que relatou ter sofrido perseguição religiosa da professora e dos colegas no mestrado em História de uma universidade pública. Ela entrou com ação na Justiça por danos morais contra a professora que se recusou a orientá-la por não concordar com suas convicções religiosas.

Outra convidada para a audiência, a professora Madalena Guasco, da Faculdade de Educação da PUC-SP, negou que exista neutralidade na educação e afirmou que faz parte do trabalho do professor se posicionar a favor de determinada concepção teórica.

Para o deputado Lincoln Portela, do PRB de Minas Gerais, o projeto da Escola sem Partido é necessário, porque há 30 anos a "esquerda marxista radical" invadiu a escola brasileira, fazendo lavagem cerebral nos estudantes:

"Eles fazem hoje sabe o que nas escolas? Incentivo à desobediência civil, desde que eles não estejam no poder. O que eles fazem hoje nas escolas? Rejeitam questões religiosas, rejeitam a família monogâmica. Não respeitam o texto constitucional da tolerância."

Já o deputado Leo de Brito, do PT do Acre, fez um apelo para que a proposta não seja aprovada. Para ele, uma lei da Escola sem Partido será um verdadeiro AI 5 educacional:

"Eu vi aqui uma verdadeira satanização às pessoas que são de esquerda. Acho que isso não vai levar nosso país a lugar nenhum. Eu sou professor da universidade e já orientei projetos cuja hipótese que estava colocada eu não concordava com ela, mas orientei esses projetos. Acho que o que está na legislação e na Constituição dá conta dessas situações de desrespeito na escola."

A comissão especial que discute o projeto da Escola sem Partido volta a se reunir na próxima terça-feira para uma nova rodada de debates.

Reportagem – Geórgia Moraes