25/08/2015 17h12

Brasil deve passar a fazer teste de uso de drogas em blitz de trânsito já em 2016

Entre as drogas que poderão ser verificadas pelo kit de detecção de drogas estão a maconha, a cocaína e opiáceos.

Em menos de um ano, o Brasil deve passar a fazer testes de uso de drogas em fiscalizações de trânsito, a exemplo do que ocorre com o bafômetro para o consumo de álcool. A afirmação foi dada pelo assessor do Denatran, Departamento Nacional de Trânsito, Daniel Cândido, em audiência pública da Comissão de Viação e Transportes. Segundo Daniel Cândido, a análise dos produtos começou há poucas semanas e alguns detectam dezenas de drogas pela saliva.

"Olha, deu entrada, na verdade, pra gente avaliar, um equipamento, um produto que mede, na verdade, a questão de substâncias psicoativas. A relação delas é enorme, de 30 a 40, que é feito pelo exame de saliva."

Entre as drogas verificadas pelo reagente, estão a cocaína, maconha e opiáceos. Segundo pesquisa realizada pelo Ministério Público com dados coletados de boletins de ocorrência, laudos de perícia e exames de corpo de delito; 12% das vítimas fatais de acidentes de trânsito usaram drogas ilícitas. Destas, 71% usaram cocaína ou crack.

A falta dos kits para detecção de uso de drogas faz com que a Polícia Rodoviária Federal use a intuição, como explica o chefe da divisão de Planejamento Operacional do órgão, Edson Nunes de Souza:

"Se ele apresenta algum comportamento que dá indícios de ter consumido algum tipo de substância e deu negativo no teste de etilômetro, a gente acredita que ele pode estar sob uso de alguma substância ativa. A gente pode encaminhá-lo à polícia judiciária para que esta faça os procedimentos e testes pra analisar se realmente ele está sob efeito de alguma droga."

O deputado Hugo Leal, do Pros do Rio de Janeiro, que sugeriu o debate, explica que o tema está sendo discutido em todo o mundo e, portanto, o Brasil não estaria atrasado. Atualmente, está em vigor lei (13.103/15) que estabelece a realização de exame para analisar o consumo de drogas em motoristas que tirem ou renovem carteiras de habilitação para caminhão, ônibus e veículos com dois reboques.

Reportagem — Luiz Cláudio Canuto