21/08/2013 22h06

Para especialistas, Brasil explora apenas pequena parcela de recursos minerais

Especialistas do setor mineral afirmaram nesta quarta-feira (21) que o Brasil conhece e explora uma parcela muita pequena de suas riquezas minerais. Eles apontaram falta de investimentos em pesquisa para descoberta de novas áreas e de tecnologia própria para processar e beneficiar minérios.

O diretor-executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Onildo João Marini, comentou a ausência de investimento para a descoberta de novas áreas:

"Se nós considerarmos no Brasil 1 (hum) a quantidade de investimento. Temos uma grande diferença. Na Austrália, foram investidos 4,2 vezes mais e no canada 7,2 vezes mais. O Brasil tem sido muito pouco prospectado e certamente nos temos um potencial maior do que o Canadá e a Austrália"

Marini participou de audiência pública da comissão especial que analisa a proposta de um novo marco regulatório para a mineração. O representante da ADIMB, entidade formada empresas do segmento de descoberta de novas áreas, disse ainda que as empresas que investem em prospecção são na grande maioria estrangeiras. Segundo ele, isso se deve aos riscos da atividade e à falta de incentivos do governo.

Já no caso do processamento dos minérios, segundo o diretor-geral do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Fernando Antonio Freitas Lins, o País dispõe de recursos humanos de qualidade, embora raros, com bons cursos de graduação em geologia, engenharia de minas e metalúrgica, mas ainda assim boa parte da tecnologia empregada vem do exterior.

Além de defender o fortalecimento do CETEM, Lins propôs mudanças no texto do novo marco legal. Uma das sugestões é obrigar grandes empresas do setor a investir um percentual mínimo em PD&I de tecnologias nacionais.
Presentes na audiência, os deputados Marcos Montes, do PSD de Minas Gerais e Sérgio Guerra, do PSDB de Pernambuco, consideraram a criação de novo marco para o setor um assunto complexo e defenderam a retirada da urgência constitucional para a aprovação do texto.

Para Sérgio Guerra, a complexidade do tema exige mais tempo para a análise da proposta. Ele questionou o representante das empresas de exploração mineral se a proposta de um novo marco para a mineração resolve o problema do brasil. em análise na comissão.

Diante da dúvida expressada pelo representante das empresas do setor de exploração mineral, o deputado Sérgio Guerra voltou a questionar a aprovação rápida do novo Código de Mineração:

"O que eu percebo é que no conjunto nós não cumprimos nossa responsabilidade nesse campo como um pais que se valoriza e que quer ter um futuro diferente. E ouvir de um representante do setor é muito importante para o presidente, o relator e para essa comissão. Podemos estar aqui aprovando um documento que em nada vai melhor a realidade do País."

Nesta quinta-feira (22), a comissão especial que analisa a proposta de um novo marco regulatório para a mineração realiza uma mesa redonda sobre o tema na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.


 

De Brasília, Murilo Souza