30/08/2018 11h24

STF julga futuro da educação domiciliar no Brasil nesta quinta-feira; o tema é polêmico e divide opiniões - Bloco 2

Para discutir o assunto, o Painel Eletrônico convidou a coordenadora executiva da ONG Ação Educativa e doutora em Educação, Denise Carreira; e o diretor jurídico da Associação Nacional de Educação Familiar, Alexandre Magno. Ouça a íntegra das entrevistas em dois blocos

O futuro da educação domiciliar no Brasil vai ser julgado, nesta quinta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal. O "homeschooling", termo inglês dado à educação doméstica, já é uma opção de muitas famílias no mundo. Calcula-se que cerca de dois milhões de crianças americanas estudam em casa.

De acordo com a Associação Nacional de Educação Domiciliar, esta modalidade de ensino é regulamentada e praticada em mais de 60 países, com benefícios sociais, culturais e econômicos.

No Brasil, mais de 7.500 famílias educam seus filhos fora das salas de aula. Mas, como essa opção educativa se confronta com a legislação brasileira, alguns já foram processados pela prática.

Para falar sobre os prós e contras da educação domiciliar, o Painel Eletrônico, convidou a coordenadora executiva da ONG Ação Educativa e doutora em Educação, Denise Carreira; e o diretor jurídico da Associação Nacional de Educação Familiar, Alexandre Magno.

Denise Carreira critica o chamado "homeschooling". Segundo ela, a educação em casa compromete a socialização das crianças, criando cidadãos preconceituosos e com dificuldade de lidar com as diferenças. A educadora afirma que a decisão dos pais de tirar os filhos da escola para educá-los na própria casa compromete a construção de uma sociedade mais democrática e de um ensino mais completo. Denise Carreira defende que escola e família devem trabalhar juntas para uma educação de qualidade e defende o respeito à Constituição, que determina que a educação é dever do Estado e da família. A doutora também alega que os movimentos que defendem a educação domiciliar estão ligados a grupos conservadores, ligados ao racismo, ao preconceito e "são perigosos à democracia".

Já Alexandre Magno defende a possibilidade do ensino em casa. Ele afirma não existirem estatísticas de que as crianças educadas pelos pais são menos sociáveis ou menos cultas. Pelo contrário, "são mais sociáveis, têm maior participação em trabalhos voluntários, menos envolvimento em drogas, e menor índice de gravidez na adolescência”. Alexandre Magno também contesta a afirmação de que que as crianças teriam um ensino de pior qualidade em casa e defende o direito dos pais decidirem. Segundo ele, o fenômeno veio para ficar e ele espera que o Supremo Tribunal Federal reconheça essa realidade, com um debate técnico e não emocional. "Estou com um prudente otimismo por uma decisão favorável", disse Alexandre Magno.

Apresentação - Edson Júnior e Elisabel Ferriche